Uma pesquisa para identificar a biodiversidade invisível da mata atlântica
A Mata Atlântica é um dos biomas mais estudados do Brasil, mas ainda abriga uma biodiversidade praticamente desconhecida: aquela que não pode ser vista a olho nu. Além da fauna e da flora, existe uma imensa variedade de microrganismos presentes no solo, na água e associados às plantas, responsáveis por processos fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas e capazes de produzir enzimas, metabólitos e outras moléculas com potencial de aplicação em diferentes setores da bioeconomia — campo que reúne o conhecimento científico e o uso sustentável da biodiversidade para gerar produtos, processos e tecnologias com valor econômico, sendo um caminho que vem ganhando espaço como estratégia de inovação e sustentabilidade para diferentes indústrias.
É justamente essa riqueza invisível que será estudada pela Apoena Biotech, empresa brasileira de biotecnologia que transforma a biodiversidade nacional em soluções para diferentes setores, como agricultura, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Para isso, a empresa realizou, em parceria com a Vale, no último mês de agosto, uma expedição científica na Reserva Natural Vale, em Linhares (ES). A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade microbiana da Mata Atlântica, identificando, isolando e preservando microrganismos associados a diferentes ambientes do bioma e ampliando uma plataforma científica para futuras pesquisas e inovação.
A escolha da Mata Atlântica está relacionada tanto à sua riqueza biológica quanto à condição de conservação do bioma. Originalmente distribuída por cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 17 estados brasileiros, o bioma possui atualmente cerca de 24% de sua cobertura original remanescente, distribuída em diferentes estágios de regeneração e com elevado grau de fragmentação. Nesse contexto, a expedição busca contribuir não apenas para a descoberta e preservação de microrganismos, mas também para o conhecimento de uma parcela da biodiversidade que pode desaparecer antes mesmo de ser conhecida pela ciência.
É nesse contexto que a parceria com a Vale e a atuação na Reserva Natural Vale ganham relevância. Um dos principais patrimônios de proteção ambiental da Vale, a reserva abrange aproximadamente 23 mil hectares nos municípios de Linhares, Sooretama e Jaguaré, reunindo iniciativas de conservação, restauração florestal, silvicultura com espécies nativas, sistemas agroflorestais e pesquisa científica. Assim, a experiência da Apoena em bioprospecção microbiana se une à atuação da Vale na conservação de uma área de grande relevância para a Mata Atlântica, aproximando ciência, biodiversidade e inovação.
“Quando falamos em biodiversidade, normalmente pensamos no que conseguimos enxergar. Mas existe uma biodiversidade microscópica enorme e ainda pouco conhecida. Nosso objetivo é transformar esse conhecimento em uma plataforma de inovação que possa ser revisitada ao longo dos anos e acessada por diferentes setores”, afirma Patrícia Mendes, diretora de Novos Negócios e Estratégia Comercial da Apoena Biotech.
Nas últimas décadas, com o avanço das técnicas de sequenciamento e caracterização molecular, revelou-se uma diversidade microbiana muito maior do que se imaginava. Ainda assim, identificar quais organismos estão presentes é apenas o primeiro passo e a ciência busca, agora, compreender como esses microrganismos interagem entre si e com as plantas, quais funções desempenham e quais características podem estar associadas a ambientes específicos. Na Mata Atlântica, a grande variedade de espécies vegetais e de nichos ecológicos cria diferentes condições para o estabelecimento de comunidades microbianas especializadas, ampliando as possibilidades de encontrar organismos com características ainda pouco conhecidas.
“A Reserva Natural Vale é um espaço dedicado à conservação da Mata Atlântica e também à geração de conhecimento científico sobre esse bioma tão rico e ainda cheio de descobertas possíveis. Esta iniciativa amplia o olhar para uma dimensão menos visível, mas fundamental da biodiversidade: os microrganismos. Apoiar pesquisas como essa reforça o papel da Reserva como ambiente protegido, preparado para receber estudos e contribuir para que a ciência avance na compreensão e na conservação ambiental”, diz Márcio Santos, gerente de Recursos Naturais e Áreas Protegidas da Vale.
“Cada expedição amplia esse repertório e fortalece uma plataforma de conhecimento que pode alimentar diferentes frentes de atuação da Apoena Biotech ao longo do tempo, não como um resultado pontual, mas como um investimento contínuo em ciência que sustenta a inovação em diferentes setores”, complementa Juliana Nakayama, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Apoena Biotech.
A expedição à Mata Atlântica faz parte de um programa contínuo de bioprospecção desenvolvido pela Apoena Biotech em diferentes biomas brasileiros. Antes dessa expedição, a empresa esteve duas vezes na Amazônia, além de Fernando de Noronha e da Caatinga, explorando ambientes com características distintas para ampliar sua coleção de microrganismos e compreender o potencial da biodiversidade brasileira.

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