A melhor escolha para criação de gado no semiárido nordestino
Para a criação de gado no semiárido nordestino, a prioridade vai para as raças zebuínas e cruzamentos com boa rusticidade. O calor, a irregularidade das chuvas e a oferta variável de forragem fazem com que adaptabilidade e eficiência alimentar sejam tão importantes quanto produção máxima. A recomendação dos especialistas da Embrapa é para escolha de animais das raças Gir, Guzerá e Sindi que são raças mais adaptadas às dificuldades do semiárido.
Sindi
Leite + carne
Guzerá
Leite + carne
Gir
Leite + carne
Excelente para leite
Nelore
Carne
Excelente para corte
Tabapuã
Carne
Muito boa
Girolando
Leite
Muito boa com manejo
Guzolando
Leite
Boa alternativa
Cruzamentos com Sindi/Guzerá
Leite + carne
A raça Sindi e considerads a primeira escolha para o semiárido.
O Sindi merece destaque. É originário de região árida e semiárida do Paquistão e apresenta resistência ao calor, menor exigência nutricional e capacidade de produzir carne e leite mesmo com alimentação mais limitada. A Embrapa vem estudando a raça especificamente para as condições do Semiárido.
A recomendação dos técnicos diz que o sindi é particularmente interessante para propriedades com:
pouca disponibilidade de água;
pastagem de qualidade variável;
períodos prolongados de estiagem;
sistema de produção mais extensivo;
necessidade de leite + bezerros para venda.
A raça Guzerá chega como uma das melhores opções para dupla aptidão. A Embrapa destaca sua rusticidade, tolerância ao calor, resistência a parasitas e capacidade de aproveitar forragens mais grosseiras.
No semiárido paraibano, estudos comparando Guzerá e Sindi mostraram desempenho produtivo e reprodutivo interessante das duas raças.
A terceira indicação é o Gir.
Se o objetivo principal for leite, o Gir Leiteiro é uma excelente escolha. Ele combina rusticidade com capacidade leiteira e é uma das principais bases genéticas dos sistemas leiteiros tropicais.
Para a produção de carne a esvolha é para a raça Nelore.
Para quem quer produção de carne, o Nelore continua sendo uma opção muito forte. É rústico, resistente ao calor e adequado a sistemas de criação a pasto..
Para a produção de leite, a raça Girolando pode ser muito interessante, principalmente quando há água, suplementação e manejo de pastagem. Ele combina a capacidade leiteira do Holandês com a rusticidade do Gir.
Entretanto, para um sistema muito extensivo e sujeito a secas severas, a tendência deve ser preferir mais sangue zebuíno, em vez de animais muito especializados em produção.
Caso a propriedade for no Agreste ou Sertão de Pernambuco a recomendação considera três estratégias:
1. Leite com maior rusticidade:
Sindi ou Gir → cruzamentos com Holandês → Girolando adaptado.
2. Leite + carne:
Sindi ou Guzerá, trabalhando com seleção de matrizes produtivas.
3. Corte:
Nelore, Guzerá ou cruzamentos Nelore × raças de maior ganho de peso, desde que haja alimentação suficiente na seca.
Um ponto importante: não existe uma raça “melhor” isoladamente. No semiárido, uma vaca extremamente produtiva que não suporta a seca pode dar menos resultado econômico que uma vaca moderadamente produtiva, mas que emprenha, mantém condição corporal e produz bezerro todos os anos.
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