Brasil manda microrganismos que fazem as plantas crescerem para experiência no espaço
O foguete brasileiro, que será lançado até o dia 19 de setembro, este mês, vai levar uma carga útil contendo um experimento desenvolvido pela Rede Space Farming Brazil, coordenada pela Embrapa, com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB). Serão enviados dois microrganismos utilizados na agricultura brasileira (soja) – as bactérias Bradyrhizobium spp. e a Azospirillum brasilense. A primeira é responsável pela fixação biológica de nitrogênio na soja, disponibilizando nutrientes para a planta. Já a Azospirillum brasilense promove o crescimento do sistema radicular, favorecendo a absorção de água e nutrientes e aumentando os nódulos das raízes da soja que hospedam a Bradyrhizobium.
As duas bactérias são responsáveis por aumentar a produtividade da soja, além de reduzir o uso de fertilizantes químicos e, como consequência, diminuindo custos e impacto ambiental. Segundo a coordenadora da Rede Space Farming Brazil, Alessandra Fávero, o objetivo do grupo de participar da Missão Potiguar 2 é entender os efeitos do lançamento, da microgravidade e da radiação ionizante em vôo suborbital na sobrevivência desses microrganismos para poder um dia utilizá-los em missões em espaço profundo.
Para o experimento, foi necessário o apoio de uma equipe multidisciplinar formada por várias instituições: Embrapa, AEB, Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade Federal do ABC (UFABC), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e Instituto de Estudos Avançados (IEAv).
As bactérias disponibilizadas pela Embrapa passaram por um processo de liofilização (desidratadas para preservação) e foram colocadas em tubos plásticos para segurança da carga. Os tubos foram guardados em cubesats (cubos de alumínio) desenvolvidos pela Esalq/USP. Além das amostras, os cubesats contêm biossensores de grafeno desenvolvidos por pesquisadores da UFABC e dosímetros, desenvolvidos pelos pesquisadores do IEAv/DCTA para medir a radiação ionizante. Pesquisadores do CTI Renato Archer construíram um rack que abrigou as amostras em impressora 3D.
No retorno, as amostras vão passar por várias avaliações para entender o comportamento dos microrganismos durante o voo suborbital, como efeito do lançamento, microgravidade e a descida. Para fazer as comparações, foram deixadas amostras como controle. As informações obtidas vão contribuir para o desenvolvimento de novas pesquisas e de tecnologias para o espaço e também para a Terra.


No Comments Yet!
No one have left a comment for this post yet!