Aromes sintéticos podem atrair morcegos para aumentar a dispersão de sementes na natureza
A restauração de ecossistemas degradados é um desafio global, especialmente em biomas fragmentados como a Mata Atlântica, da qual restam apenas cerca de 12,4% da cobertura original, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O pesquisador Gledson Bianconi (IFPR) destaca que o grande diferencial da tecnologia de uso de aromas sintéticos para atrair morcegos dispersores de sementes é a integração entre baixo custo, simplicidade operacional e eficácia ecológica. “O uso de compostos aromáticos comerciais torna a estratégia operacionalmente mais simples e possibilita a aplicação em maior escala, inclusive em áreas extensas ou de difícil acesso. A proposta é estimular processos naturais de dispersão de sementes, reduzindo a dependência exclusiva do plantio de mudas e aproveitando o próprio funcionamento ecológico da fauna”, afirma.
A pesquisadora Lays Cherobim, da PUC-PR, reforça que a alternativa é mais prática do que o plantio direto de mudas nativas. “Produzir e manter mudas exige etapas longas e custosas: conhecer o ciclo da espécie nativa, coletar sementes, germiná-las em estufa, acompanhar o desenvolvimento e realizar o plantio”, compara.
Além da economia, há ganho em biodiversidade. Os morcegos frugívoros estão presentes em diversas regiões tropicais e subtropicais, o que indica potencial para adaptação da técnica em diferentes biomas. A dispersão fecal traz sementes de espécies pioneiras e secundárias, encontradas em remanescentes florestais próximos e raramente utilizadas em reflorestamentos convencionais, o que enriquece o ecossistema.
Os pesquisadores ressaltam que, apesar do grande potencial, são necessários novos estudos para definir protocolos específicos de aplicação e avaliar o impacto da técnica na regeneração vegetal a longo prazo.
De acordo com o pesquisadora Sandra Mikich, os cientistas planejam identificar novos compostos, medir a atratividade de cada um e testar equipamentos de monitoramento noturno, como câmeras infravermelhas. “Trata-se de um avanço significativo em soluções baseadas na natureza. A técnica reforça o papel fundamental dos animais na manutenção e restauração do equilíbrio ecológico”, ressalta.
A iniciativa alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente ao ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ao ODS 15 (Vida Terrestre).


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