Novas técnicas de consórcio possibilitam plantar baru, café e culturas de ciclo rápido como abacaxi, feijão e mandioca
Novos sistemas de cultivo em consórcio, envolvendo o baruzeiro, o cafeeiro irrigado e culturas anuais e bianuais de ciclo curto, estão sendo testados na Embrapa Cerrados (DF) e poderão, em breve, se tornar alternativas para produtores de pequeno ou grande porte interessados em diversificar a produção e ampliar a renda, que também poderão se beneficiar do uso mais racional e eficiente dos insumos e da oferta ambiental local.
Espécie de árvore nativa do Cerrado brasileiro, o baruzeiro produz uma castanha considerada superalimento devido ao elevado teor de proteínas, fibras e antioxidantes. No entanto, por ser obtido basicamente de coleta ou extrativismo em áreas naturais, o baru ainda não conta com safras previsíveis e regulares. Além disso, elas geralmente são insuficientes para atender à crescente demanda nacional e mundial, o que evidencia a necessidade do estabelecimento de sistemas de produção comerciais eficientes. Já a cafeicultura irrigada é uma cultura consolidada no bioma, onde o clima e a altitude favorecem a produção de cafés de alta qualidade e premiados mundialmente.
Em uma área de apenas 3500 m2 nos campos experimentais do centro de pesquisa, foram implantados dois sistemas – um de linha dupla (LD) e outro de linha simples (LS), cada um ocupando um espaço retangular de 45 m x 35 m. “O espaçamento das plantas de baru e o espaçamento das plantas de café é o mesmo nos dois sistemas. O que muda é a posição das plantas de baru em relação às de café. No sistema LS, o baru foi plantado dentro da linha do café, e no LD, uma linha de baru foi plantada no meio de cada duas linhas de café”, explica Graciolli.
Cada duas linhas vizinhas de cafeeiros do sistema LD criaram o que Graciolli chama de “corredores de agricultura”: áreas onde o espaço físico disponível e o fornecimento de água por irrigação possibilitam a implantação de cultivos anuais e bianuais como feijão, abacaxi e mandioca enquanto os baruzeiros e cafeeiros crescem e ainda não produzem frutos. Essas culturas podem ser plantadas em sucessão e colhidas em poucos meses, gerando renda para compensar o investimento no plantio do baruzeiro e do cafeeiro.
“O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo. Isso é para que o pequeno produtor se sinta seguro em entrar na atividade de plantio de baru, uma vez que outras culturas vão proporcionar giro financeiro enquanto o baruzeiro ainda não estiver produzindo”, esclarece.
O pesquisador ressalta os resultados iniciais para as culturas anuais e bianuais “Obtivemos boas produtividades, aproveitando a irrigação destinada ao café”, diz.
Graciolli observa que sistemas integrados como esses consórcios permitem maior eficiência de uso de insumos como água e nutrientes, além de aumentarem a biodiversidade local de cultivos, contribuindo para a redução da ocorrência de pragas e doenças. “São produzidos diversos produtos numa mesma área, o que traz sustentabilidade econômica. Isso favorece o pequeno produtor rural para que ele consiga viver da exploração agrícola”, acrescenta, lembrando que os consórcios foram concebidos originalmente para áreas de agricultores familiares, mas podem ser testados em propriedades maiores e adaptados às condições locais.

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