As pragas e doença que provocam prejuízos nas plantações de caju
Embora seja uma planta rústica, o cajueiro é altamente suscetível a pragas e doenças, exigindo cuidados contínuos com a sanidade do pomar, para evitar perdas na produção e prejuízos econômicos. No Brasil existem cerca de 1.200 espécies de insetos-praga que atacam a planta em diferentes momentos do seu desenvolvimento. A traça-da-castanha e a broca-das-pontas, pequenas lagartas que danificam diferentes partes do cajueiro, estão entre as principais durante o período de frutificação.
A traça-da-castanha perfura as castanhas de caju e se alimenta das amêndoas. Já a broca-das-pontas consome a parte central de ramos florais, interrompendo o fluxo da seiva na planta e impedindo a formação de frutos. O pesquisador Antonio Lindemberg observa que, em regiões onde o produtor não faz o monitoramento, a infestação chega a 80% de castanhas furadas, ou seja, de 100 castanhas, 80 têm a amêndoa danificada. Em ataques da broca-das-pontas o nível de ramificações afetadas varia de 20% a 30%.
O entomologista explica que, de todas as pragas do cajueiro, a mais prejudicial é a traça-da-castanha porque a infestação ocorre quando a planta já está no seu ciclo final de produção. Por atacar o fruto (a castanha) em formação ou já formado, esse inseto coloca em risco todo o investimento feito no plantio. Além disso, é uma praga silenciosa e o produtor só percebe a castanha furada quando o dano já está feito. “Fazer a identificação adequada e conhecer o comportamento das pragas, bem como a época de ocorrência, é essencial para um manejo eficaz”, complementa.
No rol de doenças da cajucultura, o oídio se destaca como a mais agressiva. De rápida disseminação, essa infecção fúngica está presente na maioria das regiões produtoras de caju e quando não controlada pode causar danos significativos aos plantios. Segundo o pesquisador Marlon Valentim, o oídio ataca o cajueiro em todas as fases da cultura, mas os maiores danos ocorrem durante a floração e frutificação. ”Quando atinge as inflorescências, provoca a queima e a morte das flores, impedindo a formação de frutos. É crucial monitorar os sintomas como medida preventiva. Esse cuidado possibilita o controle integrado da doença e a adoção de medidas adequadas”, pontua.
Estudos da Embrapa orientam que no Manejo Integrado de Pragas o monitoramento seja realizado de forma contínua, desde a implantação da área cultivada. Esse acompanhamento sistemático facilita o controle fitossanitário e reduz o uso de defensivos químicos, evitando equívocos e gastos desnecessários, com economia para o agricultor e benefícios para o consumidor e meio ambiente.
O monitoramento deve considerar os sintomas. No caso da broca-das-pontas, é importante identificar inflorescências murchas, secas ou ramos florais quebrados, além da presença de orifícios nos ramos e de fezes das lagartas na parte superior das folhas localizadas abaixo dos ramos atacados. Já no caso da traça-da-castanha, é preciso verificar a presença de furo nas castanhas. Quanto ao oídio, o principal sintoma a ser observado é a ocorrência de cinza na superfície das folhas, inflorescências, frutos e ramos jovens.
A metodologia desenvolvida para o monitoramento com o aplicativo, preconiza a definição da amostragem em função do tamanho da área. “Para um pomar de até cinco hectares, recomendamos uma amostra de 10 plantas e o monitoramento de cinco ramos ao redor de cada uma. Quando o controle ocorre no início do ataque da praga, o custo é menor e os riscos de perda reduzem. Por isso, orientamos iniciar o processo quando 3% a 5% dos ramos amostrados apresentarem infestação de broca-das-pontas, e 5% das castanhas tiverem furo”, aponta Lindemberg.
Ainda de acordo com o pesquisador, essa orientação possibilita otimizar o tempo na realização do monitoramento. O produtor rural necessita de métodos ágeis de manejo fitossanitário, que proporcionem rentabilidade à cajucultura e reduzam custos com defensivos. O aplicativo Monitora Caju fornece uma metodologia bem orientada e ainda facilita o acesso a uma gama de informações sobre fitossanidade do cajueiro, geradas pela pesquisa, e disponibilizadas em forma de publicações.
O controle de pragas e doenças é essencial para garantir renda na cajucultura. O produtor precisa conhecer o problema, fazer o monitoramento em todas as fases da cultura e adotar as medidas adequadas. “É importante levar em consideração o custo-benefício do Manejo Integrado de Pragas, por se tratar de um processo que envolve baixo investimento e ajuda a conferir sustentabilidade a longo prazo”, afirma Lindemberg.

