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A doença do gato agora precisa ser notificada obrigatoriamente

🕔09.fev 2026

A determinação é do Ministério da Saúde, publicada no último dia 23 de janeiro, e  exige notificação obrigatória pelos agentes sanitários dos casos de esporotricose humana em todo o Brasil. A medida é essencial para as autoridades mapearem os principais focos da doença e  evitarem o avanço da doença.

A avaliação é do professor titular de medicina veterinária da UNIP, Carlos Brunner, um dos maiores especialistas no uso de pulsos elétricos no tratamento de doenças, incluindo a esporotricose felina. A doença é causada por um fungo do gênero Sporothrix spp, que provoca lesões cutâneas e úlceras em gatos, tanto domiciliados quanto os de rua, podendo ser transmitida para outros animais e também para os humanos. Em 2025, uma mulher faleceu vítima da doença, no estado do Amazonas.

Segundo a nota divulgada pelo Ministério da Saúde, “nos últimos anos, tem sido observado aumento expressivo de casos relacionados à transmissão zoonótica, o que reforça a necessidade de integração entre vigilância em saúde, atenção primária e serviços veterinários”.

Para o professor Brunner, trata-se de um grave problema de saúde pública. “Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil”, explica. “A esporotricose é infeciosa e agressiva. Os gatos são as principais vítimas e os potenciais transmissores. Causa lesões cutâneas que podem começar como pequenos caroços (nódulos) e evoluir para úlceras com secreção. Essas feridas não cicatrizam facilmente e costumam espalhar-se pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados”, acrescenta.

Com a inclusão da esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, passa a ser obrigatória a notificação semanal dos casos confirmados. Segundo a coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde, Fernanda Dockhorn, com a notificação obrigatória, “será possível construir um panorama epidemiológico mais consistente e fortalecer a tomada de decisão em todos os níveis de gestão. Isso melhora o planejamento das ações de vigilância, prevenção e assistência, com impacto direto na proteção da população.”

A transmissão da esporotricose para humanos é feita por meio do contato com o animal infectado. Os arranhões são a principal porta de entrada. A lesão ocorre geralmente nas mãos, braços, rosto ou pernas e começa como um nódulo avermelhado e firme. Depois, evolui para uma ferida ulcerada, que pode drenar pus. Ela não causa dor, mas demora para cicatrizar. O problema é que a infecção se espalha pelos vasos linfáticos e quando encontra uma pessoa com o sistema imunológico comprometido (caso dos imunossuprimidos) ela pode atingir ossos, pulmões, olhos e até o sistema nervoso central, levando à morte.

 

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE