Nordeste Rural | Homepage


Estratégias para evitar o ataque de plantas daninhas nas plantações de sorgo

🕔05.jan 2026

 As boas práticas agrícolas são essenciais para a redução da pressão das plantas daninhas na lavoura. São baseadas em estratégias de manejo fundamentais para a preservação das tecnologias e ganho de produtividade. “É importante que as empresas fomentem as boas práticas de manejo e a integração dos métodos de controle. O controle químico deve ser visto como um método complementar e não como a única alternativa de controle. Essa é a opinião do pesquisador Alexandre Ferreira da Silva.

O principal método de controle é o preventivo. “É uma estratégia relativamente simples, que busca evitar a introdução e/ou a dispersão de plantas daninhas em áreas ainda não infestadas”, explica Alexandre Silva.

Dentre as práticas recomendadas, Silva cita o controle das plantas daninhas em áreas adjacentes. “É comum avistar muitas lavouras de sorgo rodeadas por plantas de sorgo-selvagem. A ausência de controle destas plantas contribui para que sementes das plantas daninhas passem a ocorrer na lavoura através da dispersão. É preciso então, interromper o ciclo reprodutivo de plantas infestantes nas áreas adjacentes à lavoura para evitar que as sementes povoem as áreas cultivadas. O controle de áreas adjacentes é uma medida relativamente simples, mas que muitos produtores têm deixado a desejar, o que causa um transtorno muito grande”, relata o pesquisador.

“O trânsito de colheitadeiras, também, é um importante método de dispersão entre talhões da mesma propriedade e até mesmo de entre diferentes localidades. Por isto, é importante, deixar para colher os talhões mais sujos por último e ao receber a colheitadeira para realizar previamente a limpeza minuciosa dela antes de entrar em sua propriedade”, acrescentou Silva.

Outra estratégia é o controle cultural, que envolve o uso de boas práticas agrícolas que favoreçam o crescimento da cultura em detrimento às plantas daninhas. “Esta estratégia envolve o uso de sementes certificadas ou fiscalizadas, com elevado valor cultural em termos de grau de pureza e de germinação. Requer, inclusive, o uso de cultivares adaptadas, arranjos de plantas, épocas de semeio, adubação balanceada, rotação de cultura e consórcio. Todas essas boas práticas que favorecem o desenvolvimento do sorgo e na supressão de crescimento das plantas daninhas”, disse Silva.

Um dos grandes problemas que a cultura do sorgo vem enfrentando é o efeito “carryover”. “É o efeito residual do herbicida aplicado na cultura anterior, que afetam culturas semeadas em sucessão. No cerrado ocorre um cenário muito característico que se refere ao sorgo cultivado após a soja. Por isso é muito importante conhecer os herbicidas residuais na soja que podem prejudicar o desenvolvimento do sorgo semeado em sucessão” destacou Silva.

Então uma palavra-chave aqui é o planejamento. O manejo de plantas daninhas na cultura do sorgo deve ser fixado no sistema de produção como um todo, incluindo um exímio planejamento dos herbicidas que serão utilizados na cultura da soja, para que não se tenha problemas com resíduos de herbicidas que possam prejudicar o estabelecimento do sorgo semeado em sucessão, mas que ao mesmo tempo promova o adequado controle das plantas daninhas durante a condução da sua lavoura”, explicou Alexandre Silva.

Outra relevante instrução passada pelo pesquisador Alexandre é que “Um dos grandes segredos para o sucesso no manejo de plantas daninhas na lavoura de sorgo é realizar o plantio de sorgo no limpo. Este é o primeiro passo o sucesso de sua lavoura”, concluiu.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE