Sindicado do setor aeroagrícola está preocupado com o tarifaço do Governo Trump
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) se reuniu esta terça semana com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília. O objetivo do Sindag foi reforçar ao Mapa o tamanho e a importância do setor aeroagrícola para o País e conversar sobre as consequências do tarifaço para o segmento aeroagrícola. Além de, principalmente, alertar o governo sobre os riscos de eventuais contramedidas brasileiras.
O encontro teve, presencialmente, o diretor operacional da entidade aeroagrícola, Cláudio Júnior Oliveira, e mais de 27 representantes do setor — entre conselheiros e associados, que participaram online. Pela SCRI, participaram o secretário adjunto Marcel Moreira Pinto; a diretora do Departamento de Negociações e Análises Comerciais, Ana Lúcia Oliveira Gomes, e o chefe de gabinete da Secretaria, Guilherme Antônio da Costa Júnior. Junto com Oliveira estava ainda o diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Syngenta, Luis Guaraná.
Embora o tarifaço atinja diretamente exportações como carne bovina, frutas, café e madeira, o Sindag destacou que o setor aeroagrícola pode ser duplamente afetado. Primeiro, pela retração de clientes dessas culturas, que dependem da aplicação aérea para manter competitividade. Segundo, e mais grave, pelo risco de que peças, motores e aeronaves importados dos EUA acabem na mira de tarifas de retaliação, elevando custos e inviabilizando operações.
Lembrando que cerca de dois terços da frota de mais de 2,7 mil aeronaves agrícolas do País são importadas. E mesmo o terço de aeronaves nacionais, versões do modelo Ipanema da Embraer, utiliza motores e componentes de fabricação norte-americana.
“Esse encontro foi essencial para mostrar ao governo que, sem acesso a essas peças e componentes, não temos condições para manter a produtividade no campo. Por isso, estamos detalhando ponto a ponto o que é sensível, para evitar que esses itens entrem em listas de retaliação”, afirmou Cláudio Júnior Oliveira, ao abrir a reunião. Ele lembrou que a aviação agrícola atende mais de 29 culturas e cobre 140 milhões de hectares (somando todas as etapas das lavouras) e é peça-chave até no combate a incêndios florestais: “Sem uma frota ativa e acessível, o agro perde eficiência e o País perde capacidade de resposta.”
Os conselheiros do Sindag reforçaram o alerta. Thiago Magalhães Silva lembrou que 90% das peças do Ipanema vêm dos EUA e que a aviação agrícola, apesar de ser parte da aviação geral, depende quase exclusivamente de importações desse mercado: “Se vier uma retaliação ampla, estaremos no olho do furacão, junto com os produtores de laranja, etanol, madeira e outros produtos, que encaram choques severos.” Já Bruno Ricardo de Vasconcelos chamou atenção para o efeito em cadeia: “Somos o elo intermediário. Se nossos clientes retraem e nossos custos disparam, toda a cadeia — do campo ao exportador — quebra junto.”
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