Pecuarista pode reduzir a emissão de gases do efeito estufa incorporando leguminosas em pastagens
A incorporação de leguminosas em sistemas de pastagem representa uma abordagem promissora para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na pecuária, melhorar a saúde do solo e aumentar a produtividade, alinhando-se aos objetivos de sustentabilidade e combate às mudanças climáticas.
Pesquisas da Embrapa indicam que o uso dessas plantas pode resultar em uma redução de 20% a 30% nas emissões de GEE, especialmente quando comparado a sistemas que dependem de fertilizantes nitrogenados sintéticos. Isso porque as leguminosas possuem a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico por meio de simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, diminuindo a necessidade de adubação química. Essa fixação biológica de nitrogênio não só reduz as emissões de óxido nitroso (N₂O), um potente GEE, mas também melhora a fertilidade do solo e a produtividade das pastagens.
Além disso, estudos demonstram que dietas baseadas em leguminosas podem reduzir a emissão de metano entérico pelo gado. Isso deve-se à presença de compostos como taninos condensados, que modulam a fermentação ruminal, e ao menor teor de fibra dessas plantas, que acelera a passagem do alimento pelo rúmen (um dos órgãos do sistema digestivo dos ruminantes) do boi.
A adoção de leguminosas em pastagens também contribui para o sequestro de carbono no solo. Pesquisas realizadas pela Embrapa mostram que práticas como a adubação nitrogenada, o consórcio com leguminosas e o manejo adequado do pastejo podem sequestrar até 4,4 toneladas de carbono por hectare ao ano, auxiliando na recuperação do carbono perdido devido à mudança de uso da terra.

