Ozônio pode ajudar no combate a gripe aviária
A qualidade da água pode ser fato adicional de biossegurança para ajudar no combate aos focos de influenza aviária. Enquanto o Ministério da Agricultura confirma novos focos de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) no Brasil, pesquisadores e consultores em sanidade alertam que a água de bebida das aves é parte estratégica do chamado “sistema de barreiras” contra agentes infecciosos. Dentro desse contexto, granjas brasileiras têm recorrido à desinfecção por ozônio, um oxidante já empregado em abastecimento público e na indústria de alimentos, para reduzir a carga microbiana da água e, indiretamente, o estresse imunológico das aves.
“As perdas por infecções bacterianas secundárias despencaram quando passamos a fornecer água tratada com ozônio. Isso se refletiu numa queda brusca na mortalidade na primeira semana de vida”, relata Carlos Heise, diretor da Panozon. Ele também apontou a redução expressiva no uso de antibióticos profiláticos após a adoção da tecnologia.
O ozônio rompe paredes celulares e capsídeos virais em frações de segundo. Na água, não deixa subprodutos químicos nem resíduos.
Com a carga microbiana total reduzida, as aves destinam menos energia a processos inflamatórios de origem hídrica, favorecendo ganho de peso.
Nesse caso, a baixa contaminação hídrica diminui a necessidade de terapias de larga escala, alinhando a produção a exigências de mercados importadores.
Especialistas lembram que a influenza aviária não se dissemina apenas pela água potável; o vírus circula via secreções, fezes e aerossois. “O ozônio é mais uma camada de proteção, não substitui medidas essenciais como vazio sanitário, telas anti-pássaros, higienização de veículos e treinamento de pessoal”, ressalta Carlos. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) recomenda o conceito de múltiplas barreiras.

