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Agricultura vive momentos de risco, principalmente para as culturas de grãos

🕔26.Maio 2025

Em meio a um cenário de incertezas econômicas, oscilações nos preços das commodities e aumento expressivo nos custos de produção, a sustentabilidade financeira da agricultura tem sido colocada à prova. A produção de grãos, especialmente soja e milho, enfrenta um momento de forte pressão, exigindo do produtor rural uma gestão cada vez mais estratégica, técnica e eficiente, foi o que apresentaram especialistas durante o painel “Viabilidade do sistema de produção de soja e milho”, no Showtec 2025.

O consultor do grupo Agros, Lucas Broch, foi enfático ao descrever o momento atual como uma travessia delicada. “Nós temos vivido nos últimos anos uma alteração importante na estrutura do negócio agrícola, especialmente da soja e milho. Essa estrutura tem nos levado a margens mais estreitas. Aquilo que antes parecia um caminho pavimentado e seguro, hoje parece uma corda bamba”, afirmou. Segundo ele, hoje o produtor precisa equilibrar múltiplas variáveis para manter a rentabilidade, muitas vezes contando até com elementos de sorte. “Tivemos uma evolução de quase 10 vezes nos custos nos últimos 25 anos, sem a devida compensação nos preços ou na produtividade”, pontuou.

Broch destacou ainda a importância de entender a estrutura de custos da propriedade rural como ferramenta essencial para a tomada de decisões. “Não dá mais para o cara fazer uma operação da forma como fazia lá atrás, especialmente do ponto de vista da gestão financeira. O risco da atividade se tornou muito grande”, alertou.

Entre as alternativas apontadas para enfrentar esse novo contexto, estão a proteção de margem, a diversificação de riscos, o controle mais rigoroso dos recursos e o investimento em tecnologia. “O agricultor precisa ter informações na mesa para decidir com mais qualidade num ambiente de mais risco”, orientou. Apesar do cenário desafiador, Broch acredita que o setor passa por um momento de ajuste e que o produtor, com o devido preparo, seguirá em frente. “Não é que o negócio está pior, ele está mais arriscado. O produtor tem que dar cinco passos em linha reta na corda bamba, mas com uma altura da queda maior. Então ele vai continuar andando, porque o agricultor faz isso a vida inteira. Só tem que estar mais atento para não cair”, finalizou.

 

 

 

 

 

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