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Criar ostras ficou mais fácil e barato com a mesa flutuante, uma inovação para o setor

🕔28.jan 2025

A Mesa Móvel Flutuante Realocável para o Cultivo de Ostras (Mesa Ostranne) é um equipamento simples e de baixo custo e pode ser construído pelo próprio produtor. Permite o acesso às ostras independentemente da amplitude da maré, reduzindo a carga de trabalho. Possibilita, ainda, o deslocamento da estrutura de cultivo e da criação inteira para a margem e locais alternativos de manejo, a fim de proteger os moluscos de problemas que comprometem a produção, a exemplo da alta salinidade, fortes correntes, contato prolongado com o ar quente e outras intempéries. Ela foi desenvolvida pelos pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE) e é apropriada para a criação da Crassostrea gasar, a principal espécie de ostra nativa cultivada no Nordeste do Brasil.

A malacocultura – cultivo de moluscos – vem crescendo em águas quentes das Regiões Nordeste e Norte do País, mas ainda enfrenta desafios para se firmar de forma competitiva. Estudos conduzidos em locais de cultivo apontam que ostras cultivadas em mesas flutuantes apresentam maiores taxas de crescimento e sobrevivência, independentemente da necessidade de realocação, quando comparadas a indivíduos criados em estruturas tradicionais fixas. A nova mesa confirma essa tendência. No parque aquícola norte de Sergipe, um dos locais onde foi validada, 91% dos moluscos cultivados alcançaram tamanho mínimo comercial. Apenas 14% dos criados em mesas fixas tiveram o mesmo desempenho.

A tecnologia resulta do projeto Bases tecnológicas para a produção sustentável de ostras nativas no Norte e Nordeste do Brasil (Ostranne), liderado pela pesquisadora da Embrapa Angela Legat. Ela cita dois fatores que explicam as maiores taxas de crescimento e sobrevivência de ostras cultivadas em estruturas flutuantes. “O primeiro é a proteção dos animais contra as altas temperaturas enquanto se encontram submersos. A exposição ao ar em altas temperaturas prejudica estruturas internas das ostras, afetando o crescimento e a sobrevivência. O segundo é a permanência constante das ostras na camada entre 20 cm e 30 cm de profundidade, independentemente da amplitude da maré. Essa camada superficial da água favorece a alimentação das ostras, uma vez que concentra a maior quantidade de microalgas”.

O pesquisador da Embrapa Jefferson Legat, que coordenou o desenvolvimento da tecnologia, ressalta que os resultados obtidos corroboram estudos anteriores realizados pela Empresa em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tais estudos comprovaram que ostras de um mesmo lote, cultivadas em áreas tropicais, apresentaram melhor desempenho zootécnico quando cultivadas com maior tempo de submersão e menor tempo de exposição ao ar e ao sol.

Legat relata que o cultivo de moluscos bivalves, a exemplo das ostras, é considerado a forma mais ambientalmente correta e sustentável para a produção de proteína animal. “Esse molusco se alimenta de microalga, o que já elimina os custos e impactos do plantio de algo que vai ser transformado em ração e reduz a pegada ambiental da indústria de processamento e transporte de rações, além de evitar resíduos no ambiente de cultivo.” Moluscos bivalves são aqueles que possuem o corpo formado por uma concha de duas partes, chamadas de valvas.

A Mesa Móvel Flutuante Realocável para o Cultivo de Ostras (Mesa Ostranne) vai ser lançada durante as comemorações dos 51 anos da Embrapa.

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