Agricultura brasileira inova com intensificação do uso do solo para plantios sucessivos
A intensificação no uso da terra, com o sistema de cultivo de soja seguida de milho na mesma safra é uma prática da agricultura tropical brasileira consolidada em diversos estados. De acordo com dados a penetração de milho segunda safra já atinge 36,8% da área de soja. Ou seja, em uma área total de 46 milhões de hectares cultivados na primeira safra com soja, 16 milhões foram reutilizados na segunda com milho (safra 2022/23).
“O melhoramento genético da soja e do milho, adaptados às condições da agricultura tropical e com ciclos cada vez mais curtos, tem provocado uma verdadeira revolução produtiva na agricultura brasileira. Mesmo sem irrigação, esse sistema já está presente em 15 Estados. Trata-se de um processo de intensificação do uso da terra com ganhos ambientais significativos. Ao invés de produzir 3,5 ton. de soja em um hectare, por exemplo, o método de duas safras anuais permite entregar cerca de 6 ou 7 ton. de milho em uma mesma safra. Utilizar esse processo é como economizar 16 milhões de hectares de áreas nativas, que não precisaram ser desmatadas já que a mesma área é aproveitada duas vezes ao ano”, comenta o diretor de novos negócios agro da Serasa Experian, Joel Risso.
Ainda para o especialista, “além disso, temos um movimento de expansão da área irrigada, que viabiliza a segunda safra em regiões de regime hídrico mais restrito. Com isso, é possível fazer até três safras em uma mesma área. Os impactos ambientais relacionados ao desmatamento evitados são gigantescos, em especial neste momento em que a conversão de áreas nativas se tornou uma preocupação global, inclusive, gerando restrições de acesso ao mercado”, finaliza.

