Mais qualidade para o cultivo de variedades crioulas de abóbora e inhame em Alagoas
Alimentos tradicionais da dieta nordestina, tanto o inhame quanto a abóbora têm potencial para melhorar a geração de renda, a saúde e a nutrição, fortalecendo a agricultura familiar no Nordeste. Por isso, com a coordenação da Embrapa Alimentos e Territórios, de Maceió, ALagoas, os pesquisadores estão realizando uma série de ações, que vão da análise das técnicas de plantio e forma de conservação das sementes ao manejo e auxílio das formas de preparo dos pratos, para agregar valor e fortalecer o cultivo dessas culturas em regiões do Agreste e da Zona da Mata de Alagoas.
Os plantios experimentais com abóbora estão sendo controlados em duas pequenas áreas da comunidade Lagoa da Coroa e no Sítio do Mendes, em Estrela de Alagoas, no Agreste alagoano, região onde há plantio tradicional da cultura. Em uma das áreas, o interesse maior dos agricultores é obter frutos de qualidade para consumo e venda, inclusive das sementes. A outra, na Lagoa da Coroa, além do consumo e venda, o interesse da comunidade de mulheres é também saber como aproveitar, de forma integral, os frutos na agroindústria de secagem de frutas.
Os campos com inhame estão instalados na Zona da Mata, área que apresenta altitude mais elevada e diferenciada, com atividades de diagnóstico e de capacitação e utilização das culturas. O pesquisador João Gomes da Costa liderou a condução dos experimentos em Chã Preta, Flexeiras, Murici e Pilar. O principal intuito é identificar e avaliar novas fontes nutricionais, apoiar e estimular a produção e o consumo, tanto para a abóbora quanto para o inhame.
Assim, busca-se contribuir também para a valorização das sementes tradicionais e dos rizóforos, o fortalecimento do uso de germoplasma de adaptação local e a manutenção da variabilidade genética, além da soberania e segurança alimentar das famílias da região.
O inhame ( Dioscorea sp.) é um alimento rico em carboidratos, proteínas, vitaminas e fonte de minerais. Já as abóboras ( Cucurbita moschata D.) representam uma importante fonte de nutrientes como fibras, proteínas, cálcio, ferro, magnésio, vitaminas e carotenoides. Apesar de toda a riqueza nutricional, da tradição no cultivo e horizontal dessas hortaliças, verifica-se por parte dos agricultores e suas famílias o consumo ainda restrito a poucas elaborações culinárias e ao reduzido aproveitamento dos frutos e tubérculos, de acordo com a pesquisadora Semíramis Ramos , que coordena a iniciativa.
“Estamos caracterizando as variedades tradicionais que estão sendo plantadas pelos agricultores. Os experimentos vão permitir identificar experimentadores no cultivo das duas culturas e buscar alternativas para aprimorar o sistema produtivo”, conta a pesquisadora. No caso da abóbora, por exemplo, a polpa é a parte mais consumida. Entretanto, tanto as folhas e as flores, como as sementes e mesmo a casca, podem ser usadas até em pratos nutritivos e saborosos.
Assim, a ideia é, na última fase do projeto, também envolver e capacitar os agricultores e suas famílias em técnicas culinárias para melhor aproveitamento dos tubérculos, com apoio do Instituto Federal de Alagoas (Ifal ) .

