A domesticação e ampliação do cultivo de buru do cerrado pode ter sucesso através da enxertia
O buru também chamados de cumbaru ou cumaru em português brasileiro, são árvores que crescem de 15 a 25 metros de altura e são amplamente distribuídos no bioma Cerrado. Esta é uma das espécies nativas do bioma com grande potencial econômico devido aos seus diversos usos. A polpa do fruto pode ser consumida in natura ou em misturas, e seu endocarpo pode ser transformado em carvão com alto poder calorífico. Sua semente é a parte mais popular e ganhou valor de mercado, pois é utilizada na culinária nacional e internacional. Assemelha-se a uma noz e pode ser apreciada como aperitivo ou utilizada em diversas receitas. O óleo extraído da semente também tem diversos usos. A árvore pode ser utilizada no paisagismo e sua madeira possui grande resistência e durabilidade.
O baru é uma das espécies mais promissoras para o cultivo; assim, a geração de informações sobre sua multiplicação, crescimento, desenvolvimento, rendimento e variabilidade permitirá sua domesticação para cultivo comercial. Atualmente, praticamente toda a produção de baru provém do extrativismo florestal.
A enxertia, método de propagação vegetativa para produção de clones, tem se mostrado viável para a multiplicação do barueiro . Estudos recentes realizados no viveiro da Embrapa Cerrados apresentaram resultados promissores para três tipos de enxertia: brotamento, fenda e emenda. Para as mudas cultivadas a pleno sol, os três tipos proporcionam média de fixação acima de 50%, com destaque para a brotação, que chegou a mais de 60%.
A propagação vegetativa ou clonagem consiste na multiplicação de partes da planta de interesse sem o uso de sementes, que faz crescer outras plantas idênticas à sua planta mãe (clones). As principais vantagens do método incluem a possibilidade de estabelecer plantações altamente produtivas e uniformes e, às vezes, antecipar o estágio reprodutivo da espécie.
Esses são os primeiros resultados do desenvolvimento de um sistema de produção de barueiros . “Ressaltamos que estamos tratando de uma espécie arbórea nativa carente de informações técnicas sobre ela e acreditamos que esses dados servirão de base para novos estudos visando aprimorar a metodologia de enxertia da espécie”, enfatiza o pesquisador Wanderlei Lima . Ele é o coordenador do estudo.
O resultado foi muito positivo segundo a equipe, que também é composta pela analista Fernanda Morais e pelo auxiliar Vicente Moreira . Algumas mudas enxertadas da Embrapa Cerrados já foram transplantadas para um campo na borda de um experimento de sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (SILFS), no qual está sendo avaliado o uso de espécies nativas do Cerrado. Um dos principais desafios para domesticar o barueiro é a produção de mudas. Atualmente, não há metodologia de reprodução assexuada validada para a espécie.

