Cafeicultores usam fungos para proteger a lavoura do ataque de pragas
A broca-do-café (Hypothenemus hampei) é uma praga encontrada em lavouras de café de todo o planeta. Ela pode comprometer até 20% do peso de um café beneficiado, segundo pesquisas da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). Nesta mesma conta, ainda de acordo com a entidade, em uma saca de 60 quilos (kg), 12 kg são perdidos com a praga. Com o objetivo de sanar o problema, muito se tem pesquisado para seu controle não só por meio de defensivos químicos, mas também com soluções biológicas.
A adoção do fungo Beauveria bassiana – predador de muitas espécies de pragas – incluindo a broca, tem estimulado a indústria de biológicos a investirem em produtos baseados no fungo. A Novozymes, líder mundial em soluções biológicas, obteve a liberação do BoveMax, biodefensivo já utilizado para controle da broca da erva-mate, para as culturas de café e citrus. O Beauveria bassiana, é um fungo existente naturalmente nos solos de todo o mundo, o que facilita a produção de biodefensivos.
Fernando Bonafé Sei, gerente de serviços técnicos da divisão agrícola da Novozymes, explica que os estudos na adoção do fungo Beauveria bassiana para o controle de pragas em culturas como o café, têm dado ótimos resultados nas lavouras cafeeiras. “Após a aplicação do BoveMax a broca entra em contato com o fungo, que coloniza o inseto provocando a morte e o controle da praga. Nos cafezais onde é realizado o uso do BoveMax, é comum encontrar brocas mortas pela ação do produto”, explica. O especialista completa que nessas lavouras recomenda-se não fazer aplicação de agroquímicos, a não ser que a infestação da broca ultrapasse 5% de frutos bloqueados sem infecção.
Para os cafeicultores de todo o Brasil, a chegada de mais um aliado é um alívio, ainda mais quando os resultados de produção da cafeicultura têm sido animadores. Os cafeicultores de todo o Brasil estão esperando, segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), 54,74 milhões de sacas beneficiadas contra 50,92 milhões de sacas em 2022. O bom resultado, segundo a entidade, é esperado mesmo em um ano de bienalidade negativa. Se a estimativa para este ano for comparada com o volume colhido na safra 2021, último ano de bienalidade negativa, o aumento chega a ser de 14,7%.

