O manejo para combater o ataque da praga broca-das-axilas nas plantações de soja
A praga tem baixo potencial para causar perda econômica, por isso, a Embrapa Soja está recomendando que os produtores monitorem suas áreas e apenas optem por usar inseticidas químicos sintéticos quando 50% ou mais das plantas apresentarem sintomas de ataque. “Aplicar inseticidas químicos antes dessa infestação não traz benefícios para a produtividade e, portanto, não é justificável economicamente”, explica Adeney de Freitas Bueno, chefe de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Soja.
Levantamentos da Embrapa Soja mostram que populações de broca-das-axilas resistentes à proteína inseticida Cry1Ac, presente na soja-Bt, têm ocorrido, principalmente na região centro-norte do estado do Paraná e sul do estado de São Paulo, favorecidas pela ocorrência de veranicos em algumas regiões. As demais regiões produtoras de soja, especialmente aquelas que enfrentam tempo seco, podem registrar o problema.
Bueno explica que apesar da preocupação de muitos produtores, a broca-das-axilas tem pequena capacidade de reduzir a produtividade da soja. “Em experimentos realizados durante as safras 2020/21 e 2021/22, a Embrapa Soja comparou a produtividade de plantas com sintomas do ataque com plantas sem qualquer sintoma de ataque em 13 diferentes lavouras no país. Apenas em uma das áreas avaliadas (Cristalina, GO), a produção observada em plantas com ataque foi menor quando comparadas a plantas sem ataque”, explica Bueno
Além do monitoramento constante da área, a Embrapa Soja recomenda a adoção de área de refúgio estruturado no cultivo de soja – plantio de pelo menos 20% de soja não-Bt semeado em 800 m de distância de uma planta-Bt. “Em um cenário de alta adoção da tecnologia de soja-Bt e de baixa aderência da prática do refúgio estruturado aumenta-se consideravelmente a probabilidade de evolução da resistência nas espécies-alvo”, destaca Bueno.

