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O fungo que ataca as plantações do guaranazeiro pode afetar outras plantas de importância econômica

🕔05.Maio 2022

Uma nova espécie de fungo encontrado em plantas de guaranazeiro, com sintomas caracterizados como manchas foliares semelhantes à antracnose, é capaz de causar doença foliar em plantas de açaizeiro e de dendê. A descoberta foi feita em pesquisa baseada em observação de campo, isolamento do fungo e análises de laboratório com caracterização morfológica e molecular, realizadas pelo Laboratório de Biologia Molecular da Embrapa Amazônia Ocidental (AM).

A nova espécie pertence ao grupo dos fungos chamados de pestalotióides, que engloba três gêneros (Pestalotiopsis, Pseudopestalotiopsis e Neopestalotiopsis) e causa doenças em uma ampla gama de hospedeiros. Em guaranazeiro, foram identificadas espécies que fazem parte de dois dos três gêneros que inclui os pestalotióides. De seis linhagens analisadas, três foram identificadas como fungos da espécie Neopestalotiopsis formicarum, enquanto os outros três isolados são descritos como uma nova espécie batizada como Pseudopestalotiopsis gilvanii.

O estudo traz também o primeiro relato de Neopestalotiopsis formicarum como um patógeno da planta do guaraná. Pseudopestalotiopsis gilvanii foi isolada em plantas de guaranazeiro e despertou preocupação pela forma como afeta a cultura, pois causa sintomas que queimam a folha, reduzindo a possibilidade de fotossíntese e, consequentemente, prejudicando o desenvolvimento da planta. “Além disso, o fungo foi observado em clones de guaranazeiro que são cultivares lançadas, indicando que esse novo patógeno precisa ser monitorado para que não se torne um problema para a cultura do guaranazeiro no futuro”, alerta o pesquisador da Embrapa Gilvan Ferreira da Silva, coordenador do Laboratório de Biologia Molecular.

O cientista destaca que a descoberta é importante não apenas por revelar uma nova espécie, mas também por identificar um novo patógeno que pode se tornar um problema para algumas culturas de importância econômica em regiões tropicais. Contudo, o pesquisador deixa claro que os produtores podem manter a calma, visto que o novo patógeno no momento ainda não é uma ameaça, o fungo tem sido observado no campo em baixa frequência, sendo necessário o monitoramento para entender melhor o comportamento do patógeno.

 

 

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