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O agricultor pode ter mais renda praticando o consórcio agroflorestal

🕔09.mar 2022

Os SAFs – Sistemas Agroflorestais –  são uma estratégia de produção baseada em princípios ecológicos e econômicos que permite reunir espécies distintas em uma mesma área e, desse modo, proporciona produção duradoura e melhora o uso da terra. A Embrapa investe em pesquisas sobre a eficácia desses sistemas nas diferentes regiões brasileiras. As modalidades estudadas consideram aspectos como as características das espécies, demandas do setor produtivo, especificidades do processo de implantação e condução das diferentes etapas, além da realidade do produtor rural.

Resultados de pesquisas da Embrapa Acre comprovam que o plantio de culturas agrícolas associado a espécies florestais permite aliar produção à conservação da floresta. Produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, localizada no Acre, adotaram diferentes consórcios agroflorestais para tornar as propriedades mais produtivas. A diversificação da produção tem possibilitado maior oferta de alimento e renda para famílias que antes viviam somente do extrativismo de produtos da floresta, como a castanha-do-brasil, além de gerar ganhos ambientais.

Segundo o pesquisador da Embrapa Tadário Kamel, os arranjos avaliados permitem duas safras de grãos nos anos iniciais e a colheita programada de frutas, com retorno econômico em curto prazo e ganhos que amortizam os custos de implantação do sistema. “Os sistemas agroflorestais (SAFs) são uma alternativa de produção sustentável para a Amazônia e outros biomas brasileiros. A tecnologia possibilita intensificar as atividades produtivas, sem uso do fogo, otimiza a ocupação do espaço físico da propriedade e contribui para o aproveitamento de áreas degradadas, entre outros aspectos que agregam benefícios às famílias rurais e ao meio ambiente”, explica.

Kamel explica que por combinar espécies florestais e diferentes culturas em uma mesma área, os sistemas agroflorestais permitem intensificar a produção e melhoram o uso da terra. Entretanto, a atividade precisa ser planejada e a definição dos arranjos deve considerar os objetivos do produtor rural – seja com foco na produção de alimentos para consumo da família ou para fins de comercialização. A escolha adequada das espécies confere diversidade à produção e permite uma produção escalonada.

“Dependendo da composição dos arranjos, é possível produzir e gerar renda no curto, médio e longo prazos. No contexto da agricultura familiar, a principal estratégia de implantação de SAF prioriza culturas agrícolas de ciclo curto nos primeiros anos e, posteriormente, o cultivo de espécies frutíferas nas entrelinhas das espécies florestais. Já o componente florestal pode garantir renda no futuro, com a oferta de madeira ou produtos não-madeireiros como óleos e sementes”, destaca o pesquisador.

 

 

 

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