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Cultivar de amendoim forrageiro propagada por sementes

🕔08.jun 2020

amendoim com cascaA primeira cultivar brasileira de amendoim forrageiro propagada por sementes, a BRS Mandobi, foi desenvolvida pela Embrapa e recomendada para o consórcio com gramíneas nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. A tecnologia é uma alternativa para diversificar as pastagens e intensificar a produção de carne e leite a pasto, com baixo impacto ambiental, um dos principais desafios da pecuária brasileira. A associação de gramíneas com a leguminosa proporciona alto rendimento de forragem e aumenta em 46% a produtividade do rebanho.

Para disponibilizar a BRS Mandobi uma equipe multidisciplinar de pesquisadores atuou durante 20 anos, no âmbito do Programa de Melhoramento Genético do amendoim forrageiro, coordenado pela Embrapa Acre. Produtiva (três mil quilos de sementes/hectare), resistente a doenças, tolerante ao alagamento do solo e à seca e altamente persistente no pasto e eficiente no processo de semeadura, a cultivar pode ser consorciada com os capins Marandu, Xaraés, Piatã, Humidícola, Tangola, Decumbens, Mombaça, Massai e a Grama-estrela, entre outras forrageiras.

Desenvolvida em parceria com a Associação para Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), a tecnologia é uma resposta a demandas do setor produtivo, em função do alto custo da mão de obra na implantação do consórcio de pastagens com as cultivares propagadas por mudas e dos valores elevados das sementes comerciais disponíveis no mercado, 100% importadas. “A BRS Mandobi vai viabilizar a oferta de sementes nacionais de qualidade, a preços mais acessíveis para o produtor rural”, afirma a pesquisadora da Embrapa Acre, Giselle de Assis.

O uso de gramíneas consorciadas com amendoim forrageiro ajuda a suprir a necessidade de fertilizantes nitrogenados no processo de adubação de pastagens, com baixo custo. De acordo com o pesquisador Judson Valentim, devido à associação com bactérias que vivem na terra essa leguminosa consegue capturar do ar e incorporar no solo até 150 quilos de nitrogênio na pastagem, o equivalente a 330 quilos de ureia, obtidos de forma natural. Além de gerar economia para o produtor rural, esse ganho ajuda a melhorar a qualidade e longevidade das pastagens.

“Outra vantagem do amendoim forrageiro é o elevado teor de proteína bruta presente na planta, entre 18% e 25%, nutriente que impacta diretamente a qualidade do pasto e a produtividade animal. Esse aporte proteico na alimentação do rebanho eleva a produção bovina por área, com baixas emissões de carbono,contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais da produção e para uma pecuária mais sustentável”, destaca Valentim.

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