Nova técnica para obtenção de mudas de banana usa bactérias como impulsor
Uma técnica nova, a microbiolização, reduz o tempo de produção de mudas de banana em até 20 dias, dependendo das condições e da variedade utilizada. Ela tem dado bons resultados quando aliada ao mais recomendado método de multiplicação de mudas de bananeira – a propagação vegetativa in vitro, também conhecida como micropropagação, atualmente, a maneira mais segura e rápida de se obter mudas de qualidade e livres de doenças importantes.
Para agilizar o tempo da produção de mudas de bananeira e reduzir os custos, a Embrapa acrescentou à micropropagação in vitro bactérias específicas que atuam como promotores do crescimento vegetal ou agentes de controle de patógenos como bactérias, vírus e fungos.
O pesquisador Harllen Silva, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, na Bahia, explica que a micropropagação pode ser resumida em duas fases: o enraizamento in vitro e a aclimatização, com as mudas já em casa de vegetação. “O que fizemos foi introduzir bactérias nas duas fases para tentar reduzir o tempo de enraizamento e de aclimatização”, diz o especialista. As plantas oferecem os nutrientes e o habitat para as bactérias, as quais promovem o crescimento e a sanidade das plantas.
Ao introduzir a técnica da microbiolização nas mudas de bananeira micropropagadas somente na fase de enraizamento, houve uma redução de 10% no tempo de produção de mudas. Quando a técnica foi aplicada nas fases de enraizamento e aclimatização, a redução no tempo foi de 22%. O desenvolvimento convencional leva geralmente 90 dias, portanto a microbiolização leva até 20 dias a menos.
Outra vantagem do novo processo é que as mudas contêm uma microbiota, conjunto dos microrganismos que se encontram no solo, benéfica associada às raízes. Essa microbiota desempenha papel fundamental no crescimento da planta e na adaptação a condições de estresse, inexistentes em condições de cultura de tecido, o que aumenta a adaptação às condições de campo. “Essas mudas têm um valor agregado. São mudas microbiolizadas, que vão com uma carga microbiológica para o campo, ao contrário das mudas in vitro, que vão praticamente esterilizadas para o campo”, assegura.

