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Uma levedura vai combater o fungo causador da podridão da manga

🕔16.dez 2019

podridão da mangaA podridão da manga é provocada por um microrganismo que não é controlado pelos métodos convencionais de aplicação de químicos ou tratamento térmico pós-colheita. Por isso, a importância da descoberta dos pesquisadores Bernardo Halfeld Vieira, Daniel Terao e Kátia Nechet é capaz de gerar uma solução para o problema sem deixar resíduos químicos nos frutos o que, além de ser mais saudável à saúde humana, evita barreiras internacionais de países que não aceitam tratamentos químicos.

Vieira ressalta que essa praga é capaz de inviabilizar a exportação de manga. Isso depende das condições climáticas, principalmente das chuvas na época da floração e início de frutificação. O biocontrole por meio do uso da levedura mostrou ser mais eficiente que o tratamento químico com o fungicida tiabendazol, normalmente utilizado. Não foi detectada produção de nenhuma substância inibitória pela levedura, portanto, não há envolvimento de um princípio ativo.

O agente de controle biológico Candida membranifaciens foi a levedura que apresentou maior eficácia quando comparado ao fruto tratado com fungicida durante o período de armazenamento de 11 dias. Em contraste, os frutos-controle (sem tratamento com o fungicida e sem aplicação da levedura) estavam completamente podres antes do fim do experimento.

“Não há ainda uma previsão de custo porque foram feitos apenas testes experimentais, não existe ainda um produto formulado”, explica o pesquisador. O tratamento convencional é feito apenas à base de fungicidas. O que é usado atualmente combina o hidrotérmico, por imersão da fruta em água quente, com o uso de fungicidas, que deixa resíduos químicos e não tem se mostrado eficaz no controle da doença.

“O estudo demostrou que a competição, assim como a formação de uma camada de levedura nos possíveis locais de infecção após a colonização, desempenha um papel importante na redução da severidade da podridão peduncular da manga”, conta Vieira.

O pesquisador Daniel Terao prevê que seja feito um tratamento combinado entre o hidrotérmico com a aplicação posterior do produto biológico. Os frutos seriam tratados primeiro por aspersão de água quente, sobre escovas rolantes, a uma temperatura adequada e por curto intervalo de tempo, para controlar o fungo sem afetar a qualidade da fruta, seguido de resfriamento com água fria, para interromper o efeito da temperatura elevada. Em seguida, seria feita a aplicação do biocontrolador, por aspersão da suspensão da levedura via spray, na concentração recomendada. O especialista frisa que os parâmetros e o protocolo de tratamento estão em fase de desenvolvimento.

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE