Cientistas usam lodo de esgoto para reduzir praga das bananeiras
O uso de resíduos orgânicos em culturas agrícolas pode contribuir para o manejo de doenças de plantas e melhorar a fertilidade do solo. Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) observaram que a incidência da murcha de Fusarium, uma grave doença que atinge os bananais, foi menos severa após a aplicação no solo do lodo de esgoto compostado. “A redução do índice de doença variou de 9% a 67% com a aplicação de lodo de esgoto nas concentrações de 1% a 5% em relação ao grupo controle. Assim, o nível de controle vai depender da quantidade aplicada”, revela o pesquisador da Embrapa Wagner Bettiol frisando que essa prática também aumentou o crescimento das plantas.
Ele explica que a incorporação de resíduos orgânicos aumenta as atividades microbianas do solo, que o tornam inóspito para os patógenos, isso também altera suas características químicas e físicas, fornecendo macro e micronutrientes às plantas. Por isso, a prática é uma importante ferramenta de manejo para a supressão da murcha de Fusarium na banana. “A eficiência no controle de doenças depende das características do resíduo, quantidade aplicada, características do solo, época de incorporação e do patossistema”, pondera o cientista.
A principal doença da bananeira, antes chamada de Mal-do-Panamá, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense e está disseminada em todas as regiões produtoras de banana do mundo. O fungo pode sobreviver no solo por mais de 20 anos ou ainda em hospedeiros intermediários. No Brasil, diversas variedades tradicionais, como a banana maçã, são susceptíveis a esta doença.
As principais formas de disseminação são o contato das raízes de plantas sadias com outras doentes, uso de material de plantio infectado e transporte de solo contaminado. O fungo também é disseminado por água de irrigação, de drenagem e de inundação, e também pelo homem, por animais ou pela movimentação de solo.
Os principais sintomas da doença são:
- Rachadura no pseudocaule e quebra de folhas (aspecto de guarda-chuva fechado)
- Manchas vermelhas indicando a presença do fungo no interior do pseudocaule
- Murcha e amarelecimento foliar.
São conhecidas quatro raças do fungo, a raça 4 tropical (R4T) é considerada a mais severa e ainda não foi registrada no Brasil.

