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Novo projeto visa recuperar pastagens degradadas

🕔11.jun 2025

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As pastagens no Brasil ocupam cerca de 160 milhões de hectares, segundo informações do MapBiomas, e grande parte dessa área apresenta algum grau de degradação. Algumas políticas públicas, como a Taxonomia Sustentável Brasileira e o Programa Caminho Verde, buscam criar mecanismos para estimular a transformação desse cenário. Os impactos da recuperação ou da conversão em áreas de agricultura, com a adoção de práticas sustentáveis, vão desde o ambiental, social até o econômico, com aumento de produtividade, melhor desempenho animal, e aumento do ganho de peso, conservação do solo e da água, aumento da fertilidade do solo, sequestro de carbono, etc.

Nessa linha, um novo projeto coordenado pela Embrapa foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na última semana com recursos na ordem de R$2 milhões. O projeto Diagnóstico qualitativo, monitoramento e prospecção de cenários futuros para conversão de pastagens degradadas no Brasil, coordenado pela pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste Patrícia Menezes Santos, é formado por uma rede de instituições acadêmicas, de extensão rural e de centros de pesquisas.

As estatísticas de degradação de pastagens no Brasil são variadas, em função da falta de padronização de conceitos, do entendimento incipiente das características do processo de degradação e das limitações dos métodos de diagnóstico disponíveis. Em razão da extensão territorial do país, os processos de degradação apresentam características variadas e devem ser mensurados por diferentes métricas, de acordo com a região. Segundo Patrícia Santos, o aprimoramento dos métodos de diagnóstico é necessário para o estabelecimento de metas e monitoramento das políticas públicas relacionadas às pastagens, como a Taxonomia Sustentável Brasileira e o Programa Caminho Verde. Além de contribuir para aprimorar as informações do Inventário Nacional de Gases.

O objetivo da nova proposta é apoiar o planejamento e monitoramento de políticas nacionais. Os principais resultados esperados são: i) Indicadores e critérios de degradação de pastagens naturais e plantadas; ii) Protocolos de coleta de dados de campo para treinamento e validação de modelos de diagnóstico de qualidade das pastagens; iii) Bases de dados de campo para treinamento de modelos baseados em inteligência artificial e geotecnologias; iv) Sistema de software baseado em modelos de inteligência artificial explicáveis para análise de cobertura vegetal em imagens; v) Métodos aprimorados de diagnóstico qualitativo das pastagens por meio de sensoriamento remoto; vi) Mapeamento da qualidade das pastagens em polos pecuários brasileiros; vii) Sistema de software baseado em modelos biofísicos para aplicações em potenciais produtivos e análises de risco; viii) Avaliação de impacto de cenários de conversão de pastagens considerando indicadores de mitigação de emissões e adaptação dos sistemas de produção às mudanças climáticas; e ix) Requisitos para o desenvolvimento de protocolos e sistemas de monitoramento do Programa Caminho Verde.

As características das pastagens degradadas ou em degradação variam de acordo com o Bioma que fazem parte. No entanto, esse processo pode ser caracterizado por indicadores como fração de cobertura de solos por plantas forrageiras ou plantas daninhas e de solo descoberto, composição botânica, disponibilidade de biomassa, características do solo e outros.

Nesses casos, a recuperação traz benefícios como melhoria da fertilidade do solo, proteção do solo, forragem com qualidade, aumento da matéria-orgânica no solo, controle da erosão, propiciando infiltração da água na área e ainda evita o assoreamento dos cursos d´água, além de preservar os nutrientes do solo. Esses ganhos podem ser traduzidos em rendimentos econômicos, com aumento significativo da produção de carne e leite.

Pesquisas da Embrapa indicaram que em uma área de pastagem degradada dificilmente pode-se produzir mais do que 150 kg de peso vivo por hectare anualmente. Já, em uma pastagem recuperada essa produção pode dobrar ou até triplicar, gerando mais renda para o pecuarista.

 

 

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