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Como escolher o capim para formar a melhor pastagem

🕔23.dez 2015

Pastagem formadaQuem está pensando em formar pasto tem que, primeiro, escolher a espécie forrageira. E que tal escolher um capim que o boi gosta de comer? Existem várias opções e sugestões. Em segundo lugar, o produtor deve preparar bem o solo, cuidar a semeadura e do primeiro pastejo – para garantir uma boa formação do pasto. Segundo Haroldo Queiroz, zootecnista da Embrapa Gado de Corte, algumas situações levam ao estabelecimento do pasto, como: abertura de áreas novas, áreas de integração lavoura-pecuária, substituição de espécies e recuperação de áreas degradadas.

Escolher a espécie é uma etapa importante e depende do objetivo do sistema de produção, do quanto o produtor pode investir e da mão de obra disponível. O clima da região é outro ponto importante que se deve levar em conta, bem como a qualidade do solo e como será utilizada a forrageira; se é para pastejo, silagem, fenação ou vedação escalonada e, ainda, que categoria animal utilizará o alimento.

Os bovinos preferem forrageiras com muitas folhas e poucos colmos. São as folhas que alimentam e engordam o boi. As forrageiras mais apreciadas por estes animais são a paiaguás, a piatã e a marandu. Em seguida a decumbens, a humidícola e a xaraés. Esta última, apesar de possuir muitas qualidades, os bovinos não gostam muito porque seus colmos são mais duros que as outras braquiárias, informa a pesquisadora Valéria Pacheco Euclides, da Embrapa Gado de Corte.

Da família dos panicuns, que inclui os capins Mombaça, Massai, Zuri e o Tanzânia, este último é mais aceito pelos animais, apesar de seus colmos serem mais grossos que do capim-massai, ela é menos fibrosa, por isso a preferência pelo Tanzânia. A planta apresenta boa proporção de folhas, com altos conteúdos de proteína e digestibilidade proporcionando ótimos ganhos de peso por animal. É uma cultivar para solos muito férteis e apresenta alta capacidade de suporte. Outra vantagem do Tanzânia é a facilidade de maneja-la, além de apresentar boa produção de sementes e resistência a cigarrinha-das-pastagens.

Já as plantas leguminosas tropicais, como o calopogônio, centrosema, arachis, guandu e outras, não são as preferidas dos bovinos e a explicação é porque elas apresentam uma substância chamada tanino que dão a percepção de secura e adstringência na língua e no palato. É a sensação de boca amarrada quando se come banana verde. As leguminosas apresentam taninos em maior ou menor grau o que interfere na palatabilidade dos animais fazendo com que eles comam menos a planta. Algumas delas os animais aceitam bem, como o estilosantes Campo Grande, e outras, os animais aceitam somente no período seco. Em pastagens consorciadas os animais preferem a gramínea ao invés da leguminosa, apontam as pesquisas.

Depois de escolher a forrageira vem a etapa do solo que deve ser bem preparado para receber a semente de pastagem. O solo tem que ser protegido contra erosão, a vegetação indesejada deve ser retirada e se fazer uma análise de solo para determinar o uso de corretivos. Deve-se também controlar os insetos e pragas, promover a distribuição do calcário e do fósforo, arar, gradear, distribuir potássio e nitrogênio, fazer uma gradagem niveladora e cuidar a umidade do solo.

A semente a ser utilizada deve ser de qualidade. Saudável, vigorosa e livre de contaminação por impurezas, nematoides e sementes indesejadas, recomenda Haroldo Queiroz. Segundo ele, as sementes devem ser plantadas de três a cinco centímetros de profundidade. Dependendo do caso as sementes podem ser plantadas a lanço, em sulcos ou plantio direto.

Quanto aos cuidados no primeiro pastejo o zootecnista ensina: “a área deve receber animais depois de 40 a 75 dias após a germinação da forrageira – assim que a planta atingir 75% da altura superior indicada para o manejo do capim. Só entrar com animais leves para diminuir o arranquio de plantas e evitar a compactação do solo”.

O sucesso de uma boa formação de pastagens depende da escolha certa da espécie forrageira, de uma adequada utilização, de usar sementes de boa qualidade, ser bem semeada e na quantidade certa, o que varia de uma espécie para outra. Tudo isso e um manejo adequado assegura ao produtor retorno econômico e longevidade da pastagem.

 

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