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Uma experiência nova conclui que a produção de alface irrigada pode ser maior em consórcio e em sistema agrofloresta

🕔10.fev 2022

A pesquisa foi realizada pelos técnicos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). Os pesquisadores avaliaram a produção da alface em cultivo solteiro e consorciado com rúcula e rabanete, em sistema agroflorestal (SAF) e a pleno sol, quando irrigados por gotejamento. O experimento foi conduzido entre setembro e novembro de 2019, no Sítio Agroecológico da Embrapa Meio Ambiente.

Conforme Laísa Hurpia da UFSCar, adotando o mesmo manejo da água de irrigação, considerando a exigência hídrica da alface e seguindo às recomendações para o seu bom desempenho nos dois sistemas de cultivo, constatou-se que houve uma tendência de menor aproveitamento da água disponibilizada na irrigação, na maior parte do tempo do experimento, no tratamento com monocultivo de alface a pleno sol. Este fato pode ser explicado, em parte, pela menor evapotranspiração, decorrente da menor quantidade de folhas e raízes, ou seja, da menor densidade de plantas no sistema de monocultivo quando comparada com a densidade de plantas no policultivo”.

Laísa complementa que, geralmente, a eficiência do cultivo consorciado depende principalmente do nível de competição e complementaridade, espacial e temporal, entre as culturas componentes, ou seja, capacidade destas em maximizar a produtividade e o uso dos recursos disponíveis no local.

Neste sentido, o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Joel Queiroga explica que, da mesma forma que o SAF geralmente proporciona maior produção por unidade de área e  melhor aproveitamento de insumos disponibilizados no processo de produção, como por exemplo, a água de irrigação, a hipótese era que o cultivo consorciado de hortaliças também proporcionasse maior produtividade e uso mais eficiente da água.

“E, de fato, nossa hipótese foi confirmada. Com o uso da mesma quantidade de água de irrigação no cultivo consorciado e solteiro, no consórcio além da produção de alface foi possível produzir também rúcula e rabanete, o que correspondeu a um aumento de produção de massa seca de hortaliças por unidade de área de 129,5%, em média (SAF e pleno sol), em relação ao monocultivo. Vale destacar que a seleção de espécies a serem consorciadas é muito importante, neste caso, em que as três espécies foram implantadas na mesma ocasião, após a colheita da rúcula e do rabanete de ciclos mais curtos, a alface que possui um ciclo mais longo e exige maior quantidade de água com o passar do tempo, teve espaço e insumos disponíveis e suficientes para o seu pleno desenvolvimento”, complementa Queiroga.

O pesquisador conclui que a adoção de consórcios de hortaliças em SAFs é uma importante estratégia para os agricultores aumentarem a produtividade e a diversidade de produtos, e também aproveitarem com mais eficiência os insumos disponibilizados no processo de produção.

 

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