Uma defesa para as plantações brasileiras de coqueiros
O Brasil é o quarto maior produtor mundial de coco, atrás de Indonésia, Filipinas e Índia. De acordo com dados apresentados na tese do pesquisador Diogo Montes Vidal, o País produz em torno de 2,8 milhões de toneladas por ano, o que corresponde a 4% da produção mundial. Os coqueirais brasileiros se estendem por uma área de aproximadamente 300mil hectares, desde o Pará até o Rio de Janeiro.
“É uma cultura com importância econômica e social, pois deste fruto obtém-se diversos produtos, como água e leite de coco, madeira, fibras, combustível, ração animal, óleos e outros derivados para o processamento agroindustrial”, afirma Vidal no seu trabalho. “Além disso, o cultivo pode ser consorciado com outras espécies vegetais anuais como a mandioca ou perenes como o cupuaçuzeiro, propiciando uma fonte de renda extra, principalmente, para o pequeno produtor”, explica.
De acordo com ele, insetos-praga estão entre os principais fatores responsáveis pelos os baixos índices de rendimento dos coqueirais brasileiros por provocarem prejuízos severos às plantas. Além do Brasil, há registro de ocorrência de Homalinotus nas Antilhas, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana e Suriname.
Por ser uma cultura de regiões tropicais, cultivada em áreas mais quentes e úmidas, o coqueiro é suscetível a uma grande quantidade de doenças e pragas, muitas delas bastante agressivas, que podem chegar a dizimar plantações inteiras, como o amarelecimento letal, a resinose e atrofia letal da coroa.
O fato de não existir uma grande variedade de produtos para combate registrados e liberados para uso na cocoicultura, aliado aos riscos de resíduos desses produtos se integrarem à água e à polpa, tem motivado produtores e pesquisadores a buscar alternativas mais sustentáveis de manejo de pragas e doenças.
Agora, os pesquisadores da UFPR e Embrapa conseguiram identificar e sintetizar em laboratório, pela primeira vez, a molécula que atua como feromônio de agregação do besouro Homalinotus depressus, conhecido como broca do coqueiro, uma das pragas mais frequentes em coqueirais no Brasil, que causa grandes perdas financeiras na cultura, principalmente na região Norte.
Realizada entre 2012 e 2016, a pesquisa com achados inéditos sobre a broca do coqueiro é tema de um artigo publicado no final de janeiro na versão on-line da Scientific Reports, prestigiada revista científica internacional do grupo Nature Research. O artigo, intitulado ‘Isophorone derivatives as a new structural motif of aggregation pheromones in Curculionidae’, é assinado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Química, cuja excelência é reconhecida pela Capes com nota máxima. O texto é baseado na tese de doutorado defendida pelo pesquisador Diogo Montes Vidal.
Entres essas técnicas está o manejo integrado de pragas (MIP), que combina medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando promover o equilíbrio nas plantas e monitorar as pragas evitando, ao máximo, o uso desses produtos no sistema, e o controle biológico, que busca controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, predadores, parasitóides, e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias.
