Um novo inimigo natural para acabar com a praga que ataca a cana de açúcar
O Brasil é o maior produtor mundial de cana, fazendo com que o País ocupe o primeiro lugar no ranking de produção de açúcar e é o maior exportador de etanol do planeta. A broca-da-cana é uma praga que pode gerar grandes prejuízos para as lavouras de cana-de-açúcar. Consiste em ataques de lagartas que se alimentam inicialmente das folhas do canavial e depois penetram no colmo, perfurando-o e abrindo galerias ascendentes na região do palmito, com orifícios verticais e transversais. Ocasionando perdas de produtividade e de qualidade tecnológica ao reduzir o teor de açúcar produzido por tonelada.
Nos primeiros anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), no fim da década de 1970, a broca-da-cana causava enormes prejuízos nos canaviais, níveis de infestação acima de 10% eram comuns. Na primeira metade da década de 1980, o controle biológico foi intensificado pela liberação nos canaviais de parasitoides. O principal utilizado foi a vespa Cotesia flavipes, e esse tipo de controle reduziu os níveis de infestação para menos de 3%, nível que vem sendo mantido desde o início da década de 1990.
Agora um novo inimigo natural encontrado em canaviais pode auxiliar no controle biológico da broca-da-cana (Diatraea saccharalis) e da Helicoverpa armigera, duas lagartas que causam prejuízos consideráveis à agricultura. O parasitoide Tetrastichus howardi (Hymenoptera: Eulophidae) já foi registrado em países como a Austrália, China, Paquistão e África do Sul, e mostrou resultados promissores tanto no controle na fase de pupa quanto na fase de lagarta.
As pesquisas que revelam o sucesso do uso do parasitoide no combate à broca-da-cana e Helicoverpa armigera foram recentemente apresentadas no 14º Simpósio de Controle Biológico, o Siconbiol, realizado em junho, em Teresópolis (RJ).
“Experimentos foram conduzidos visando a avaliar o parasitismo em pupas de H. armigera, e os resultados foram promissores, com o parasitoide T. howardi apresentando porcentagens de parasitismo e emergência de 100%, em condições de laboratório. Também avançam os estudos em relação ao controle da fase larval, e os resultados iniciais são considerados satisfatórios”, diz Juliana Simonato, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), responsável pela realização desse estudo.
O pesquisador Harley Nonato de Oliveira, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), salienta que a utilização de eulofídeos para controle da broca-da-cana ainda está em fase de estudo. “As pesquisas iniciais têm apresentado resultados promissores, mas precisamos conhecer melhor o comportamento desses parasitoides e avançar nos estudos para que, no futuro, eles possam ser inseridos nos programas de controle biológico de forma que incrementem os resultados de controle da praga-alvo”, explica ele.

