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Um inseto que provoca perdas totais em plantações de várias frutas brasileiras

🕔19.ago 2022

A drosófilla-da-asa-manchada é uma praga exótica identificada no Brasil em 2013. Ela atinge diversos cultivos, em especial pomares de pequenas frutas, podendo gerar perdas de até 100% da produção. Estudos da Embrapa mapearam municípios em todo o País com condições mais favoráveis ao desenvolvimento da drosófila-da-asa-manchada (DAM). Ela afeta principalmente plantações de ameixa, amora, caqui, citros (laranja, limão e tangerina), figo, morango, nectarina, pera, pêssego e uva. As pesquisas, que fazem parte do Projeto DefesaInsetos e envolvem três Unidades da Embrapa: Meio Ambiente (SP), Territorial (SP) e Semiárido (PE), têm ainda como objetivo detectar potenciais agentes de controle biológico e minimizar o impacto ambiental do uso de produtos químicos contra o inseto.

Drosophila suzukii é um inseto polífago, praga exótica de importância econômica para cultivos no Brasil.  É conhecido por Drosófila-da-Asa-Manchada (DAM) ou Spotted Wing Drosophila (SWD), além de mosca-da-cereja ou mosca-do-vinagre.

Os estudos apontaram que o mês de novembro é o que apresenta o maior número de municípios com condições favoráveis ao desenvolvimento da drosófila-da-asa-manchada: 2.288, no total. Em contrapartida, junho é o que tem o menor número: 884 municípios. A área mais suscetível está na região Sudeste, onde a presença de pomares e as condições de temperatura e umidade favorecem o desenvolvimento do inseto durante todo o ano. Na região Sul, a favorabilidade predomina de outubro a abril, enquanto no Nordeste a aptidão prevalece de maio a outubro, com pico em julho. Na região Centro-Oeste, as quatro unidades da federação têm condições favoráveis entre dezembro e junho. O período mais curto é o da região Norte, de junho a agosto.

Os períodos de inaptidão ao desenvolvimento da DAM também foram sinalizados pelos zoneamentos mensais realizados pela equipe da Embrapa. Para tanto, foram analisados dados de produção agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de forma a identificar os municípios em que há produção das principais plantas frutíferas hospedeiras.

As perdas podem chegar a 100% da produção e sua principal estratégia de manejo é baseada no controle químico. Entretanto, algumas características do controle biológico também o tornam uma boa estratégia para o manejo desse inseto. Entre elas, destaca-se a capacidade de muitos parasitoides atacarem as larvas dentro das frutas, onde os agrotóxicos são geralmente menos eficazes. Além disso, os inimigos naturais são capazes de interferir na mortalidade natural de populações de pragas presentes em áreas naturais, nas quais hospedeiros silvestres estão presentes e o controle não é empregado.

Para tentar reduzir esses prejuízos, os produtores geralmente lançam mão do controle químico. Por isso, uma das prioridades da pesquisa agropecuária é buscar alternativas e formas de uso mais adequado desses produtos, além de disseminar conhecimentos que favoreçam o uso bem-sucedido do controle biológico.

A equipe de pesquisa da Embrapa tem buscado informações sobre diversos inimigos naturais – fungos, bactérias, vírus, nematoides, predadores e parasitoides – que possam atuar como agentes de controle biológico da drosófila-da-asa-manchada. Na avaliação da pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Jeanne Prado, responsável pela prospecção desses bioagentes de controle, “estudos que aprofundem o conhecimento sobre a praga e as estratégias de controle são sempre necessários, pois abrem um leque de opções nacionais ao controle do inseto”.

A aplicação de produtos químicos ainda é a principal estratégia utilizada para o controle de D. suzukii. No entanto, aplicações constantes elevam o custo de produção, prejudicam a ação dos inimigos naturais no campo, levam ao desenvolvimento de populações resistentes da praga e podem causar efeitos indesejáveis em populações de polinizadores (abelhas).

O controle biológico de pragas e doenças de plantas é o método de controle que mais cresce no Brasil por aliar sustentabilidade à produção agrícola. Os pesquisadores identificaram bioagentes eficazes como entomopatógenos (capazes de matar ou impedir a reprodução de insetos), predadores e parasitoides para o controle da D. suzukii.

Duas vespas parasitoides foram priorizadas como mais viáveis para uso em condições nacionais: o parasitoide larval Ganaspis sp. e o parasitoide pupal Trichopria anastrephae, que se destacaram como alternativas para o manejo da praga no Brasil.

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE