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O controle biológico pode reduzir o uso de fungicidas químicos nas plantações de pupunha

0 Comments 🕔16.jul 2026

A produção de palmito no Brasil tem agora um estudo para combater uma das doenças mais devastadoras da pupunheira, uma cultura estratégica para a produção de palmito no país. Os pesquisadores brasileiros demonstraram o potencial de fungos do gênero Trichoderma para combater essa doença. O estudo demonstrou que espécies como Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum conseguiram reduzir significativamente o avanço de Phytophthora palmivora, fungo responsável pela podridão da base do caule da pupunheira, considerada a pior ameaça à cultura.

Para Eduardo Jun Fuzitani, pesquisador da Apta Regional de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, a pesquisa também trouxe um avanço metodológico importante: pela primeira vez, cientistas desenvolveram um sistema eficiente de inoculação, ou seja, de introdução controlada do fungo causador da doença e dos agentes de controle biológico em pedaços do caule da pupunheira para a realização dos testes. “A técnica permite simular a infecção em condições controladas de laboratório, reduzindo custos e acelerando estudos sobre o manejo da doença”, diz Fuzitani.

A pupunheira, identificada cientificamente como Bactris gasipaes, ganhou espaço no mercado brasileiro após a exploração predatória da juçara reduzir drasticamente os estoques naturais na Mata Atlântica. Desde então, o cultivo se expandiu principalmente nos estados de São Paulo e Bahia, além de áreas do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A espécie apresenta vantagens econômicas importantes, como crescimento rápido, perfilhamento intenso e menor oxidação do palmito, permitindo inclusive a comercialização do produto in natura.

No entanto, como explica Álvaro Figueredo dos Santos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex-pesquisador da Embrapa Florestas (PR), a expansão das áreas cultivadas resultou no aumento de doenças associadas ao monocultivo. Entre elas, destaca-se a podridão da base do caule, provocada por Phytophthora palmivora. O problema afeta tanto plantas jovens quanto adultas. Os sintomas começam com o amarelecimento das folhas e evoluem para a morte dos brotos. Nos casos mais graves, a doença pode destruir toda a planta.

antos destaca que ainda existem poucas opções de controle efetivo da doença, seja por fungicidas ou por variedades resistentes. Além disso, o uso intensivo de produtos químicos levanta preocupações ambientais e sanitárias, especialmente porque o palmito pode ser consumido cru. Nesse contexto, o controle biológico surge como alternativa sustentável e economicamente viável.

Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), observa que os fungos do gênero Trichoderma são conhecidos por diferentes mecanismos de ação contra organismos causadores de doenças em plantas. “Eles competem por nutrientes, produzem substâncias antifúngicas, degradam a parede celular de agentes invasores e ainda estimulam mecanismos naturais de defesa das plantas. Algumas espécies também promovem crescimento vegetal e conseguem colonizar tecidos internos da planta sem causar danos, comportamento conhecido como endofitismo”, complementa.

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