Solos arenosos podem ser melhores aproveitados com manejo de sistema de integração
O sistema de integração pode promover a recuperação de milhares de pequenas e médias propriedades rurais localizadas sobre os 50 milhões de hectares de solos arenosos no Brasil. Para isso, a recomendação dos especialistas, é a adoção de sistemas de integração, como indicam pesquisas da Embrapa. Ao menos 30 fazendas do Oeste de São Paulo têm apostado na rotação soja-capim, alcançando produtividades que chegam a mais de 70 sacas/ha em alguns pontos, algo até então considerado inviável para a região, com ganhos expressivos também em desempenho animal no período seco. Já na “Costa Leste” e no Sul de Mato Grosso do Sul, um novo formato de sistema de integração tem resultado em produtividades médias de carne de até 20 arrobas/ha. Os resultados surpreenderam porque produzir nesse tipo de solo sempre foi um desafio para pecuaristas e agricultores.
Os solos arenosos são considerados limitadores da atividade agrícola por conterem baixo teor de argila e grande porosidade, o que dificulta a retenção de água e, consequentemente, de nutrientes para as plantas. “Dizem que solo arenoso é um filtro de água. Mas, pelo menos, podemos pensá-lo como um filtro de água melhor”, diz o pesquisador João Kluthcouski, o João K, da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal.
Um bom exemplo do sucesso do sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é o ocorrido em uma propriedade em São Paulo. Lá foi iniciada a rotação de soja com braquiária numa área de 450 hectares, que antes foi ocupada durante 15 anos por pastagens de baixa produtividade. A propriedade, pertencente ao Grupo Carlos Viacava, também agregou tecnologias como o sistema plantio direto e a descompactação do solo. Depois de apenas dois anos de plantio da soja, os dados impressionam. Na safra de verão 2014/2015, apesar dos 29 dias de estiagem que alcançaram o período reprodutivo da leguminosa, a produtividade média foi de 39,6 sacas/ha, variando de 14,6 sacas/ha numa área com plantio convencional até 73,6 sacas/ha num talhão com plantio direto, algo impensável para a região.
No período de safrinha, foi plantado milho consorciado com capim-braquiária. Dessa vez, foram 54 dias sem chuva. A colheita novamente surpreendeu: média de 80,8 sacas/ha de milho com 13% de umidade do grão e média de 41,9 t/ha de milho silagem. “São dados inacreditáveis para uma área com altitude média em torno de 400 metros, considerada imprópria para a cultura do milho”, comemora o pesquisador.
A terceira safra, a de boi, foi garantida pelo pasto, que permaneceu verde mesmo no período mais seco do ano. A pastagem, que em 2013 suportava 0,5 unidades animal (UA – equivalente a um animal com 450 kg de peso vivo) por hectare, viu a taxa de lotação aumentar para 1,9 UA/ha em 2015. O índice é bem superior à taxa de lotação média nacional, que, de acordo com estimativas, não ultrapassa 0,7 UA/ha.
O ganho médio de peso foi de 0,6 kg/dia/animal, e houve registros de animais com ganhos de até 0,9 kg por dia sem qualquer suplementação adicional. A forragem de melhor qualidade também permitiu aumento do peso médio dos bezerros à desmama aos 210 dias: os machos ficaram 22 kg mais pesados e as fêmeas 14,5 kg.
“Quando completarmos o giro, o que vai levar de um a dois anos, teremos o máximo. Se conseguirmos aumentar a produção em 20%, já será um fenômeno. Tenho certeza de que teremos também um aumento substancial da produção de touros”, aposta o proprietário Carlos Viacava, que deve implantar o sistema em mil hectares na safra 2015/2016. “A propriedade, que antes só tinha receita advinda da pecuária, agora tem três fontes de receita”, completa o filho Ricardo.

