Satélite faz monitoramento da crise hídrica brasileira
É uma ferramenta especial para fazer o monitoramento dos efeitos da crise hídrica nacional. O equipamento desenvolvido pela Embrapa Monitoramento por Satélite (SP), é um Sistema de Observação e Monitoramento da Agricultura no Brasil (SOMABRASIL) que reúne dados de diferentes fontes e os apresenta em mapas de fácil compreensão.
É o resultado do trabalho de cooperação entre o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Embrapa. Agora é possível fazer o acompanhamento da produção, mapeando indicativos de anomalias agrometeorológicas. A partir de informações disponíveis no SOMABRASIL, foi possível localizar os municípios responsáveis por 80% da produção nacional de culturas agrícolas como algodão, café, cana-de-açúcar, feijão, milho, soja e trigo, e relacionar com dados agrometeorológicos, socioeconômicos e relatórios de safra.
A situação atual, com relação às chuvas e à oferta de água no solo, é comparada com a média histórica para o mesmo período a fim de observar se condição de hoje está muito abaixo do esperado. A análise é realizada em bases municipais e por cultura, possibilitando mapear os municípios em situação mais crítica em relação a esses parâmetros, ou seja, aqueles que podem sofrer mais caso a baixa oferta de água coincida com estágios importantes para o desenvolvimento das plantas.
Além de imagens de satélite, estão sendo utilizadas no trabalho informações disponibilizadas pelo IBGE, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Agência Nacional de Águas (ANA) e sistema Agritempo, também da Embrapa. “Ter uma visão das áreas de produção agrícola em diferentes escalas e dos indicadores que afetam as culturas nos diferentes estágios de desenvolvimento é de fundamental importância”, explica Mateus Batistella, pesquisador e chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite. Segundo ele, o desenvolvimento de técnicas e métodos baseados em tecnologias geoespaciais, como satélites e sistemas integradores de geoinformação, tem sido a resposta da ciência para o monitoramento de uma atividade tão dinâmica quanto a agricultura, num país de dimensões continentais como o Brasil.

