Produtores trabalham para melhorar a exportação do leite brasileiro
O mercado internacional de lácteos brasileiros ainda é considerado pequeno. Os principais exportadores são Austrália, Nova Zelândia e Europa. Mesmo produzido em um país potência em carne, grãos, café, cana etc., o leite brasileiro ainda aguarda seu espaço no agronegócio nacional. Argentina e Uruguai suprem nosso mercado interno. Por questões alfandegárias, importar de outros países fora do Mercosul custaria cerca de 40% mais caro (tarifas mais transporte). Em 2007, numa conjuntura bastante diferenciada (seca na Austrália e na Nova Zelândia), o Brasil chegou a exportar produtos lácteos para alguns países do Oriente Médio, mas tradicionalmente nosso déficit gira em torno de 5%.
Os pesquisadores da Embrapa avaliam que o setor no País começa a se redesenhar. Há maior profissionalização da atividade e os sistemas de produção estão ganhando escala com novos modelos de gestão e a adoção de tecnologias em genética, nutrição, qualidade do leite etc. Mas fazer com que o agronegócio do leite se encontre com o agronegócio nacional exige mais. Na visão de Carvalho, para ser exportador, o Brasil tem que ter preços alinhados com o mercado internacional. “Na média, nosso leite ainda é caro. Enquanto em julho pagava-se lá fora 38 centavos de dólar por litro, aqui dentro o produto era vendido ao equivalente a 43 centavos de dólar”, compara Carvalho.
Para o pesquisador, os altos custos de produção do leite no Brasil são reflexo do mercado protegido vigente no País. Além do mais, o setor nacional sofre com problemas de regularidade de oferta. Mas Carvalho confirma que os indicadores têm melhorado. Um dos exemplos é a maior especialização do rebanho, com descarte de animais de pior genética. Além disso, o País possui o menor custo de produção de milho e soja do mundo, além de pastagens de alta qualidade. Talvez não falte muito para os produtos lácteos comporem nossa pauta de exportações.
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