Planejamento ajuda a dar mais sustentabilidade e renda as atividades na pecuária
A atividade pecuária exige uma atenção constante do produtor durante todo o ano, pois ela não se desenvolve de um modo nativo. Produzir bois para o abate ou leite, exige conhecimento e muito manejo do rebanho e, com a seca, essa atenção tem que ser redobrada. É fato que a mudança do clima não acontece em todas as regiões do País, ao mesmo tempo. No Sudeste, costuma ser em meados de maio, e vai até final de agosto, ou início de setembro. Já na região Sul, não chove desde final de dezembro de 2019, enquanto no Nordeste está chovendo, ainda, e assim por diante. Por isso, as dificuldades dos produtores, quando decidem elaborar um Planejamento Nutricional, não são poucas, nesse período.
Veja o que diz o médico veterinário Julliano Pompei e técnico do Departamento de Nutrição do Grupo Matsuda, com 18 anos de atuação no atendimento do setor, da porteira para dentro. Segundo ele o período de seca é uma transição já bem conhecida pelos pecuaristas do Brasil, o que não quer dizer que seja simples enfrentá-la, principalmente se o produtor não lançar mão das ferramentas adequadas. “O importante é lembrar que nesse período nossas pastagens reduzem, acentuadamente, o seu crescimento, proporcionando um menor volume de pasto aos animais”, assinala. “Entretanto, além dessa sazonalidade na produção, o que vem de fato, limitar o bom desempenho dos animais criados em pastos, no período de seca, é a própria concentração dos nutrientes”.
Pompei explica que é comum e esperado em pastagens tropicais que, com a entrada do período seco, ocorra uma queda gradativa nas concentrações de alguns nutrientes, vitais para os ruminantes, como Proteína Bruta (PB) que pode apresentar uma redução de até 50%, os Macro e Micro minerais com queda em até 80%, e também da Energia, em menor proporção, porém não menos importante de até 20%.
“Se não bastasse esta perda dos valores nutricionais, como forma de “proteção” ocorre um aumento da fração fibrosa, deixando esses materiais com uma menor digestibilidade, aumentando, assim o tempo de passagem do alimento pelo trato digestório dos animais, onde teremos, como consequência, uma redução da ingestão do alimento”, observa o especialista. “Não há o que ser feito para evitar essas alterações em nossos capins, uma vez que são fatores fisiológicos das plantas em países tropicais como o Brasil. Porém podemos e devemos garantir um bom volume de pasto para os animais neste período, uma vez que a correção dos valores nutricionais em si, é algo mais fácil de se obter”, adverte.
Para garantir uma boa oferta de pasto, sabendo que o capim passará a reduzir o seu crescimento e até mesmo não crescer durante o período, o pecuarista deve reduzir a taxa de lotação de seus pastos, ainda no final do período chuvoso e, se possível ainda realizar uma adubação de cobertura, aproveitando as últimas chuvas para obter um maior volume de capim, ou mesmo “bucha, massega”, como é chamado pelos produtores. “O importante é que as pastagens tenham uma boa relação de folha/talo, o que quer dizer que precisamos ter folha, muita folha de capim reservados para o período seco pois, sem dúvida esse será o alimento mais barato desse período”, ressalta Pompei.
Sabemos que no Brasil apenas 50% dos produtores se preparam para a chegada da seca, daí a importância das empresas fabricantes de suplementos minerais se dedicarem não somente ao aprimoramento da qualidade do produto, mas também à prestação de serviços, pré e pós-vendas, orientando os pecuaristas antes de adquirí-los, bem como depois, para fornecê-los corretamente aos seus rebanhos.

