O produtor de café pode ganhar mais em produtividade com sistema de consórcio usando o capim Braquiária
Trata-se do sistema que utiliza a braquiária como planta de cobertura nas entrelinhas do cafezal. Com baixo custo e de fácil implantação, esse modelo de produção melhora a estrutura do solo e a sua capacidade de armazenar água. Além disso, favorece o estoque de carbono nas camadas superficiais do solo. A pesquisa realizada pela Embrapa com participação de cafeicultores apresenta resultados importantes para a produção de café, tanto irrigado, quanto de sequeiro, desde que em regiões com oferta hídrica regular.
Avaliação de impacto econômico do uso desse sistema de produção, relativa ao ano de 2020, demostra que cada real investido na pesquisa e desenvolvimento dessa solução proporciona retorno de R$ 24,14 em benefícios para a sociedade. Essa primeira avaliação de impacto levou em consideração o investimento estimado para a geração da tecnologia ao longo dos anos, assim como os custos para realizar a sua transferência para o setor produtivo. Por outro lado, foram avaliados os seguintes impactos econômicos: incremento de produtividade; redução de custos de produção; e agregação de valor ao café produzido, alcançando um Valor Presente Líquido (VPL) de pouco mais de R$ 61,1 milhões.
Os dados são relativos a cerca de 29 mil hectares de cafezais onde a tecnologia está sendo adotada nos estados da Bahia, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. “A metodologia de avaliação dos impactos econômicos realizada pela Embrapa é baseada no método do excedente econômico. O enfoque do excedente econômico permite que se estime o benefício econômico gerado pela adoção de inovações tecnológicas comparando-se a nova solução tecnológica com a tecnologia anteriormente em uso ou tradicional”, explicou Jamilsen Santos, supervisor da área responsável pela avaliação na Embrapa Café.
O pesquisador Omar Rocha, atual chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Café, um dos responsáveis pelo estudo, conta que o objetivo inicial foi buscar solução para ajudar o produtor no manejo das principais plantas daninhas que acometem o cafezal, além de melhorar a qualidade do solo. “Quando iniciamos a pesquisa, por volta de 2004, já existia alguns estudos com uso de planta de cobertura nas entrelinhas de cultivos perenes, mas verificamos que a braquiária possuía características interessantes, como um sistema radicular que, com oferta hídrica regular, aumenta de 18% a 20% a água prontamente disponível no solo para a planta, além de melhorar a estrutura do solo”. Além disso, esse modelo de produção permitiu a estocagem de até 10,7 T.ha-1 de carbono orgânico nos primeiros 0,20m do solo, explica.
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