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O cultivo de uma bromélia que pode substituir o uso da fibra de vidro na indústria

🕔24.jan 2025

A técnica de cultura de tecidos tem mostrado bom potencial para escalonar e aprimorar a produção de mudas do curauá (Ananas comosus var. erectifolius (L. B. Smith)), uma bromélia amazônica com amplo potencial de uso na indústria por sua resistência e características que podem substituir parcialmente a fibra de vidro, na composição de carenagens de celular, compósitos poliméricos e como solventes de óleo diesel, entre outras aplicações. Essa técnica, capaz de multiplicar mudas de plantas com segurança, higiene e uniformidade, pode contribuir para atender à demanda crescente por fibras naturais nos setores produtivos e industriais do País.

O resultado é fruto de ações de pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) para desenvolver o sistema de cultivo dessa planta em uma ampla parceria governamental criada no Amazonas para a adoção da fibra em indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). Nos experimentos, foram usadas mudas de  curauá branco e roxo.

Os resultados obtidos comprovam que a técnica de cultura de tecidos é vantajosa, pois permite escalonar e otimizar a produção de mudas, pelo método convencional, após o primeiro plantio (implantação de lavoura). Isso é bastante positivo para quem pretende produzir fibras naturais e comercializar as mudas, facilitando a ampliação dos plantios.

As informações sobre esse estudo estão publicadas na tese do professor Felipe Padilha, orientado de Chaves, que finalizou doutorado no Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical (PPGATR) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em outubro de 2024, abordando o crescimento e o acúmulo de nutrientes em curauá em casa de vegetação.

“O cultivo do curauá, no estado do Amazonas, ainda é muito pouco difundido e existem poucos trabalhos a essa cultura no estado, principalmente em relação à adubação e à nutrição mineral da espécie”, afirma Padilha. Para fazer o experimento no campo, ele aproximou as recomendações de adubação usadas no estado do Pará.

O município de Santarém é o principal produtor de curauá, sendo cultivado principalmente por pequenos agricultores. Porém, de acordo com o professor, poucos dados agronômicos da espécie são encontrados na literatura. Por isso é necessária a validação agronômica do cultivo do curauá para o estado do Amazonas, juntamente com os processos de produção da cultura.

Entre as espécies produtoras de fibras naturais, o curauá apresenta material tecnológico atrativo. É uma planta nativa da floresta amazônica e suas fibras podem ser utilizadas para diversos fins. A planta apresenta ampla distribuição geográfica, encontrando-se nos estados do Pará, Acre, Mato Grosso, Goiás e Amazonas. Devido às condições climáticas favoráveis dos trópicos úmidos, o estado do Amazonas possui variedades de recursos para aumentar a produção de fibras naturais, como clima, temperatura, umidade e o incentivo por uma produção mais sustentável.

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