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O combate à mosca-das-frutas, no Brasil, ganha ajuda de uma tecnologia espanhola

🕔19.dez 2017

armadilha para mosca da fruta 2Uma tecnologia limpa empregada na Espanha e em Israel para controle de pragas tem sido utilizada com sucesso contra o ataque da mosca-das-frutas nas uvas. A chamada captura massal apresenta o simples princípio de disponibilizar uma fonte de alimento que seja mais atraente ao adulto do inseto do que a uva no parreiral. O conhecimento foi adaptado pela Embrapa Uva e Vinho (RS) para o manejo da mosca-das-frutas sul-americana (Anastrepha fraterculus) e já está à disposição dos produtores para uso em todas as regiões produtoras. “O método garante a produção sem resíduos de inseticidas, pois o produto não é aplicado nos frutos: apenas é colocado numa armadilha que atrai os insetos adultos, evitando que eles danifiquem os frutos”, esclarece Marcos Botton, pesquisador da Embrapa que coordenou as pesquisas.

O controle da espécie tem sido desafiador, tanto para produtores que adotam o sistema convencional, com a aplicação de inseticidas sintéticos, como para os orgânicos, pois a mosca-das-frutas é uma das principais pragas associadas à cultura da videira, mas que também tem outros hospedeiros, o que garante a sua reprodução ao longo do ano. Além da busca por métodos mais limpos e sustentáveis, a equipe da Embrapa Uva e Vinho buscou uma alternativa para substituir os tradicionais inseticidas organofosforados, que não estão mais autorizados para uso no cultivo da videira no Brasil.

Os danos causados pela mosca-das-frutas geralmente começam com lesões decorrentes de um ferimento na baga da uva, feito pela fêmea para depositar seus ovos. Depois, em função do desenvolvimento das larvas, surgem as galerias, que geralmente estão associadas às podridões causadas por microrganismos que infectam as bagas e aumentam as perdas no período da pré-colheita. Segundo a equipe de pesquisadores, em muitos casos a perda pode ser de algumas bagas ou até de todo o cacho. No primeiro caso, é possível fazer um raleio de bagas, retirando as que estão danificadas, porém, essa prática exige mão de obra adicional, o que aumenta os custos da produção.

A Embrapa Uva e Vinho, com instituições parceiras, tem realizado diversos trabalhos de pesquisa visando desenvolver tecnologias limpas para o manejo da praga, e a captura massal foi uma das que apresentou melhores resultados. A técnica consiste em distribuir uma grande quantidade de armadilhas por área de pomar, nas quais os insetos adultos são capturados, reduzindo a infestação nos parreirais. Segundo Botton, a técnica já é utilizada há vários anos na Espanha e em Israel para o controle da mosca-das-frutas do mediterrâneo (Ceratitis capitata), inseto que também ocorre na região Nordeste do Brasil e ocasiona danos similares aos da Anastrepha fraterculus, principal espécie de mosca-das-frutas que ocorre na região Sul do Brasil.

Após cinco anos de pesquisas avaliando e ajustando o manejo com uma proteína animal comercial como atrativo, foram alcançados os melhores resultados. Isso porque a mosca adulta tem necessidade de ingerir compostos proteicos para o desenvolvimento e maturação dos óvulos, que originarão as larvas, ou seja, a sobrevivência dos seus descendentes. O produto também apresenta uma alta estabilidade, não sendo necessária a reposição frequente, além de ser seletivo, não prejudicando outros insetos benéficos, como as abelhas.

 

 

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