O cerrado brasileiro pode aumentar a produção de melão para consumo
Mais de 93% da produção nacional de melão está concentrada no Semiárido nordestino, região favorecida por condições ideais para garantir uma boa produtividade e acentuar a doçura dos frutos, como temperaturas elevadas e alta luminosidade durante todos os meses do ano. O melão do tipo amarelo lidera a produção, com cerca de 70% das áreas cultivadas, mas os melões nobres vêm ganhando espaço. De acordo com o último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Nordeste possui quase 14 mil hectares de área plantada com melão, já o Centro-Oeste não alcança 200 hectares, ficando à frente somente da região Sudeste.
Agora uma pesquisa realizada nos campos experimentais da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal, confirmou a viabilidade técnica e socioeconômica do cultivo protegido de melão nobre, do tipo cantaloupe, nas condições do Brasil Central, onde predomina o bioma Cerrado, com base em dados sobre determinação da exigência da cultura por água e nutrientes e da análise sobre a perspectiva de um nicho de mercado.
Ao contrário do Nordeste, onde a produção se dá em campo aberto, em virtude das condições favoráveis, o cultivo de melão nobre nas condições do Cerrado somente se torna viável se planejado em ambiente protegido, como estufas e casas de vegetação, para um melhor controle de fatores como umidade relativa, temperatura, polinização, entre outros.
Para suprir a demanda de outras regiões consumidoras, os pesquisadores da Embrapa estudaram uma alternativa para o cultivo rentável nas condições de Cerrado, e a resposta que os pesquisadores encontraram parte de dois pontos: (1) melão-cantaloupe, um tipo nobre do fruto com alta cotação no mercado, e (2) cultivo protegido, um sistema de produção que, além de possibilitar o plantio em condições adversas, condiz com culturas de maior valor agregado para compensar o investimento na estrutura.

