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Novas áreas do Nordeste estão sendo testadas para produção de trigo

🕔21.jul 2020

Os testes estão sendo realizados pela Embrapa com objetivo de avaliar o potencial e a viabilidade da cultura do trigo em áreas da nova fronteira agrícola denominada Sealba, que abrange 171 municípios das zonas costeiras e Agreste de Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia. Os primeiros plantios foram realizados no mês passado nos municípios de Porto Calvo e Anadia, nos Tabuleiros Costeiros Alagoanos. Os ensaios utilizam as cultivares tropicalizadas BRS 264 e BRS 404, dentre outras, que mais têm se destacado em áreas do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.

A atividade é conduzida pela pesquisadora Lizz Kezzy de Morais, da Unidade de Execução de Pesquisa de Rio Largo (AL), vinculada à Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), e integra o projeto ‘’Melhoramento genético de trigo para o Brasil 2017-2021’, sob a liderança da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS).

O objetivo é avaliar características fenológicas, agronômicas e de rendimento das cultivares, além da qualidade tecnológica de grãos e farinha, com foco na expansão do trigo tropicalizado no país, que ainda não conseguiu atingir autossuficiência nesse produto, importando metade do que consome.

O Brasil produziu, em 2019, 5,23 milhões de toneladas de trigo, segundo dados do IBGE, mas ainda importa pelo menos 50% do que consome, sendo um dos cinco maiores importadores do mundo, superando 6 milhões de toneladas trazidas de outros países.

Os estados brasileiros produtores de trigo, atualmente, são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.  Tudo que eles produzem é consumido internamente, não restando repasse aos outros estados, com exceção do RS e PR. Já o Nordeste importa 100% do trigo que consome, proveniente da Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Canadá.

“Assim, para que o Brasil possa aumentar a sua produção e reduzir a sua dependência das importações, há necessidade de expansão da fronteira agrícola e estudo de novas regiões de adaptação, como alguns estados de clima tropical”, complementa a pesquisadora, Lizz Kezzy de Moraes.

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