Nova tecnologia permite o consórcio para plantio de dendê com alimentos
O consórcio agrícola é uma alternativa à monocultura do dendê na agricultura familiar do nordeste paraense. Mandioca, milho, arroz e feijão podem ser plantados juntos com o dendê. Os resultados iniciais mostram que os consórcios não afetam o crescimento vegetativo e melhoram a produção de cachos da palmeira nos três primeiros anos de cultivo, tempo que o dendê não gera renda para o agricultor. A afirmação é fruto de um trabalho da Embrapa em parceria com agricultores familiares e iniciativa privada, no município de Tailândia, nordeste do Pará.
“A monocultura do dendê na Amazônia sempre foi muito questionada pelos grupos ambientalistas, pesquisadores, sindicatos e pelos próprios agricultores familiares. Esse estudo de validação de tecnologia é uma resposta a esses questionamentos”, explica a engenheira agrônoma Mazillene Borges, analista da Embrapa Amazônia Oriental. Ela conta que “os resultados estão acima da expectativa”, afirma a agrônoma. O consórcio tem influenciado positivamente na quantidade de cachos emitidos pelas plantas de dendê na observação do segundo ano de cultivo. Ela estima que haja uma produção de cachos 15% maior que o plantio solteiro nesse período.
Nas unidades de observação, nome técnico dado aos trabalhos de campo, houve o plantio de milho, mandioca, feijão-caupi e arroz, simultâneos nas entrelinhas do dendê em dois sistemas de produção, já consolidados pela pesquisa da Embrapa: Sistema Bragantino e Sistema de Plantio Direto Agroecológico. O primeiro preconiza o cultivo contínuo, na mesma área, de diversas culturas em rotação e consórcio, mantendo a área ocupada produtivamente e protegida durante o ano todo. “Tem como ponto de partida a ‘adubação de fundação’, que é uma adubação de base para o solo”, explica a agrônoma.
Já o plantio direto agroecológico é uma alternativa de construção da fertilidade do solo, por meio de biomassa formada por leguminosas, sobre as quais é realizado o cultivo da mandioca. Ambos os sistemas dispensam o uso do fogo no preparo do solo e são ideais para o consórcio de culturas agrícolas na mesma área.

