Mercado de madeira do Brasil pode ter reflexos significativos com a possibilidade do tarifaço dos Estados Unidos
O impacto da possível tarifa de 50% nas importações de produtos brasileiros nos EUA foi o tema central do Podcast WoodFlow de julho. O principal desafio para as empresas está na incerteza de quando e como a tarifa será aplicada. “Essa insegurança é o que nos deixa fora do mercado, não temos clareza do que vai acontecer”, destacou o CEO da Randa Portas, Compensados e Molduras, Guilherme Ranssolin.
No debate, participaram o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo e o Head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, Marcelo Wiecheteck. Durante a conversa, os especialistas destacaram que é preciso uma ação conjunta de empresários, associações, federações e governos estaduais e federal para preservação de empresas e empregos.
A ameaça do Presidente Americano de cobrar tarifas de 50% aos produtos brasileiros, já trouxe impactos para a indústria madeireira. O principal e imediato foi a suspensão de pedidos. Várias indústrias do país, que possuem os EUA como principal mercado, anunciaram férias coletivas a fim de minimizar os prejuízos enquanto as negociações do governo estão em andamento.
“Há 30 dias, os clientes estavam buscando aumentar a parceria com o Brasil, devido a estarmos sendo tarifados em 10% e os outros países acima de 30%. E hoje, com essa insegurança desse anúncio, os clientes acabam segurando, não sabendo se seguem ou não. Porque da noite para o dia podem receber produto com 50% mais caro, como é que isso é repassado na ponta? Ou se vai ser menos, vai ser 25%, vai ser 15%, como é que eles precificam isso? Então, a busca da indústria hoje é que tenha uma conclusão”, detalhou Guilherme.
Um dos maiores desafios, caso a tarifa seja aplicada no patamar de 50%, no caso dos produtos madeireiros, está na conversão ou adaptação da produção para outros mercados. Segundo Marcelo Wiecheteck, as indústrias brasileiras de madeira foram construídas, em sua maioria, visando o mercado de construção civil dos Estados Unidos.
“O maior exemplo disso é a nossa principal matéria-prima que é o Pinus. As espécies Taeda e Elioti que plantamos aqui são originárias dos EUA”, completou Marcelo. Com isso, é difícil um “virar de chave” para explorar novos mercados. O especialista da STCP apresentou dados que mostram casos em que 98% da produção é destinada aos Estados Unidos, caso da moldura de pinus, por exemplo.
Por esse motivo, os especialistas apontam que a aplicação da tarifa será desafiadora e a busca por novos mercados será restrita para muitos produtos, pois são poucos os países consumidores que compram produtos de pinus, por exemplo. Somente em 2024 o Brasil exportou mais de 5 milhões de metros cúbicos de madeira serrada e compensado para os EUA.

