Fertilizantes sintéticos oneram a agricultura brasileira que busca reduzir custos com técnicas orgânicas
O Brasil gasta mais de 30 milhões de toneladas anuais de fertilizantes sintéticos para adubar suas lavouras. Trata-se de um insumo dependente do mercado externo. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), foram entregues ao mercado 34.438.840 toneladas em 2017. Dessas, 26.305.488 toneladas foram importadas.
De acordo com a pesquisadora Flávia Alcântara, da Embrapa Arroz e Feijão, o conceito de agroecologia preconiza que o manejo do solo deve se beneficiar da junção da adubação verde com fertilizantes orgânicos. Adubação verde são plantas utilizadas para melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo e que, além de deixarem nutrientes disponíveis para o produto orgânico que será cultivado, protegem também o solo da erosão e podem atrair inimigos naturais de pragas, entre outros benefícios.
Consorciada ou não com os cultivos, a adubação verde adiciona matéria orgânica rica em nutrientes, mas que também tem efeito importante como condicionador de solo. Já os fertilizantes orgânicos, como os compostos, podem não ter um efeito tão expressivo no condicionamento do solo, mas adicionam matéria orgânica já parcialmente decomposta, que atuará como fonte imediata de nutrientes. “Por isso, é a associação de ambos que garante a qualidade do solo no longo prazo”, afirma a especialista.
Entre os princípios agroecológicos, destacam-se a reciclagem da matéria orgânica e sua valorização como componente-chave da manutenção da qualidade do solo. A matéria orgânica é a parte do solo formada por constituintes orgânicos, ou seja, vegetais ou animais, que vão sendo depositados, se decompondo e, ao mesmo tempo, se acumulando ao longo do tempo.

