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Custo da produção da cana de açúcar em Pernambuco dá prejuízo aos produtores

🕔15.ago 2020

É o que diz um estudo da AFCP – Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco – que confirmam um crescimento de 15,3%, dos gastos. Enquanto o preço da cana continua praticamente o mesmo no período analisado, o produtor com isso, acaba tendo prejuízo porque gasta hoje R$ 131,93 e só recebe R$ 103,57 por tonelada. Portanto, se o produtor não receber da usina uma boa bonificação pela cana, terá déficit.

E este é um momento crucial para o setor. Faltam poucas semanas para as usinas pernambucanas voltarem a moer. As operações iniciam normalmente em meados de setembro, o que deve se repetir nesta safra. No entanto, mais um outro problema tem preocupado os produtores. Há infestações de pragas nos canaviais, como a ferrugem, capim-colonião e ainda a cigarrinha, esta última mais intensa na Zona da Mata Sul, região de maior produção da cana local. O combate às pragas aumenta muito o custo do produtor. A elevação do gasto cresce também devido ao reajuste dos insumos, a exemplo de fertilizantes e herbicidas, que têm os preços atrelados ao dólar em alta. A valorização da moeda norte-americana frente ao real só é positiva para exportações do açúcar, mas onera bastante os custos de produção da cana no Brasil.

“Estamos pagando para trabalhar literalmente. Isso só não acontecerá se a usina pagar uma boa bonificação extra pela cana. E a Taxa de Açúcar Recuperável (ATR), indicador que define o valor do produto, for elevada. Portanto, vai trabalhar no ‘vermelho’ o fornecedor independente de cana de açúcar que não tiver uma bonificação compatível com os seus custos de produção da safra”, diz Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP.

Lima lembra que PE é o estado brasileiro que tem mais cana produzida por fornecedores independentes. “Já caiu para 30%, mas hoje responde por 46% de toda cana pernambucana. O restante vem dos canaviais das próprias usinas. A AFCP conta que a volta do crescimento percentual da cana do agricultor está atrelada à política do governo Paulo Câmara de incentivo à reativação de usinas sucroernergéticas desde a safra 2014. A reabertura de usinas, a exemplo da Coaf (em Timbaúba) e da Agrocan (em Joaquim Nabuco), tem estimulado o canavieiro a plantar mais ao ter como escoar a produção e na expectativa de melhores bônus pela cana.

 

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