Cafeeiro já pode ser recuperado com técnica especial pós poda drástica
É o primeiro protocolo de manejo oferecido aos cafeicultores do bioma Cerrado com recomendações técnicas para o manejo da lavoura após a recepa, a poda drástica aplicada em cafés arábica para recuperar a produtividade ou uniformizar as plantas. O trabalho foi desenvolvido pela Embrapa Cerrados (DF) por cinco anos e conseguiu determinar parâmetros importantes para a recuperação do desempenho agronômico e produtivo dos cafeeiros.
Os cientistas descobriram que a irrigação com estresse hídrico controlado e a aplicação anual de 300 kg por hectare (ha) de fosfato são ideais para essa recuperação. Durante a pesquisa, as plantas que receberam o tratamento produziram grãos de boa qualidade química, atestada pelos teores de açúcares e proteínas encontrados.
Até então, não havia uma recomendação específica para o manejo da adubação fosfatada e da irrigação para o cafeeiro recepado. O problema é que, devido à escassez de nutrientes no perfil do solo do Cerrado, principalmente o fósforo, fundamental para o crescimento e a reprodução das plantas, raramente os cafeeiros irrigados na região, que têm alta exigência nutricional, recuperam o potencial de produção e de qualidade de grãos após a recepa. Além disso, o transporte do fósforo no solo e a absorção pela planta envolvem níveis diferenciados de umidade.
Responsável pelo estudo que avaliou diferentes formas de adubação fosfatada de manutenção e manejos hídricos, o pesquisador Adriano Veiga observou que as plantas retomaram melhor o crescimento vegetativo e produção de grãos no tratamento com 300 kg/ha de fosfato aplicados em superfície e irrigação com uso estresse hídrico controlado. Ele aponta que a estratégia de manejo de adubação fosfatada e de irrigação recomendada para o cafeeiro recepado, a partir desses resultados, coincide com a prática já adotada pelos produtores para as plantas adultas em diferentes áreas.
O cientista salienta que, tanto no caso das plantas recepadas como no das adultas, o produtor deve, a cada ano, coletar amostras de solo e de folhas para verificar os níveis dos nutrientes antes de aplicar o adubo fosfatado. “As análises laboratoriais de solo vão indicar a quantidade de adubo a ser aplicada, em setembro, que resulte nos dois terços iniciais da dose recomendada. No fim do ano, a análise foliar deve ser feita para verificar o quanto aplicar para completar o terço restante”, recomenda.
Apesar de ter sido gerada a partir de apenas uma cultivar, a recomendação se aplica às demais cultivares de café utilizadas em sistema irrigado no Cerrado. “A diferença, sejam elas tradicionais ou modernas, está na resposta à poda, principalmente de tipos mais drásticos”, justifica Veiga.

