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Aumenta o consumo de importados pelos brasileiros

🕔23.dez 2025

O aumento do consumo de importado pelos brasileiros é o maior dos últimos 20 anos. Mesmo com a desvalorização do real, em 2024 a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional atingiu o maior nível desde 2003. A China foi o principal vetor do avanço das importações. A recuperação da demanda doméstica e da produção industrial em 2024, combinada com um cenário de desvalorização cambial, expôs o desafio da indústria brasileira de competir dentro e fora do país. Mesmo em um ambiente que favoreceria a produção nacional, a presença de produtos importados no consumo interno atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2003, segundo a última edição do estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

O aumento do indicador foi puxado pela presença de produtos chineses no consumo dos brasileiros. Em destaque no estudo, a participação de bens estrangeiros no dia a dia dos brasileiros é medida pelo coeficiente de penetração das importações, que avançou 2,2 pontos percentuais (p.p.) e passou de 24,5% em 2023 para 26,7% em 2024. O resultado chama atenção porque a forte desvalorização do real tende a encarecer produtos importados, mas ainda assim as importações cresceram 17,3% em 2024, em real e a preços constantes, impulsionadas pela expansão da produção industrial e pelo aquecimento da demanda interna.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os dados de 2024 chamam atenção para os desafios de competitividade que a indústria brasileira continua enfrentando. “Os coeficientes funcionam como um sinal de alerta. Na nossa avaliação, esses indicadores mostram que persistem uma série de desafios estruturais para melhorar a competitividade e a qualidade da integração da indústria brasileira no comércio internacional. São desafios que afetam a capacidade da indústria de competir no próprio mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, de ganhar escala e espaço nos mercados externos”, afirma.

De acordo com o estudo da CNI, a China foi o principal vetor do avanço das importações brasileiras. A participação de produtos chineses no consumo do Brasil subiu de 7,1% para 9,2% em 2024, um aumento de 2,1 p.p. a preços constantes, atingindo o maior nível da série histórica. O crescimento foi puxado principalmente por setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica, como máquinas e equipamentos, máquinas e materiais elétricos e equipamentos de informática e ópticos. O levantamento também destaca a alta presença de produtos têxteis chineses no consumo brasileiro do setor.

Em conjunto, China, União Europeia, Estados Unidos e outros países europeus responderam por 18,7% do consumo aparente da indústria de transformação em 2024, acima dos 16,9% registrados em 2023. Entre as 17 regiões analisadas no estudo, apenas a China ampliou participação, enquanto a UE teve leve retração, influenciada pela menor presença de produtos químicos, farmacêuticos e elétricos.

 

 

 

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