Alta tecnologia para escolha e seleção de novos clones de seringueira
Agora os cientistas brasileiros estão usando a nanotecnologia para avaliar novos clones de seringueira, melhorando, assim, a qualidade da plantação e a borracha como produto. Pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) auxiliam na seleção de clones de seringueira avaliando as qualidades técnicas de seu principal produto: a borracha natural. Os especialistas testam diversas propriedades da borracha fabricada com o látex de cada clone e selecionam aqueles que geraram produtos de melhor desempenho para a indústria.
Os resultados auxiliam programas de melhoramento genético a desenvolver clones de seringueira com alto valor agregado. Entre as linhas de pesquisa empregadas no trabalho está a nanotecnologia, estudo em escala molecular que trabalha em dimensões cem mil vezes menores que o milímetro, também usada para o desenvolvimento de novos materiais a partir da borracha.
O trabalho científico contribuiu para a identificação de 41 novas plantas que já estão produzindo. Algumas delas apresentam alta produtividade e produção precoce. Enquanto a produção de uma seringueira convencional começa em média aos sete anos, os clones desenvolvidos em parceria com o Instituto Agronômico (IAC) começam a produzir em 5,5 anos. “Aproximadamente 70% dos clones de seringueira que estão em produção registrados para plantio hoje no País foram avaliados e selecionados com apoio do nosso trabalho,” afirma pesquisadora da Embrapa Maria Alice Martins.
A pesquisa é conduzida por especialistas em novos materiais, a fim de agregar valor ao estudo agronômico. Desde meados dos anos 1990, é a única avaliação desse tipo no Brasil. No Laboratório de Látex e Borracha Natural da Embrapa Instrumentação, os pesquisadores avaliam, caracterizam e monitoram mais de 20 propriedades tecnológicas, físico-químicas, térmicas e estruturais, fundamentais para a melhoria do desempenho do produto final.
“Todos os clones da série IAC 500 avaliados pela Embrapa Instrumentação apresentaram excelente vigor e potencial produtivo de cerca de 3.000 quilos anuais de látex por hectare, 70% superior ao clone mais plantado no estado de São Paulo, o RRIM 600, desenvolvido pelo Rubber Research Institute of Malaysia, que produz cerca de 1.400 kg por hectare no ano.” Essa é a constatação do pesquisador responsável pelo Programa Seringueira do IAC, Paulo de Souza Gonçalves, de 71 anos, 32 dos quais na instituição.

