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Novas técnicas com aparelhos médicos podem facilitar a reprodução do pirarucu em cativeiro

🕔07.jun 2019

Pirarucu - exameDiversos aspectos da reprodução do pirarucu são ainda um enigma para a ciência. Sabe-se que, no período reprodutivo, os casais cavam um ninho no leito das lagoas inundadas na bacia Amazônica, no qual a fêmea deposita seus ovos e o macho os fertiliza externamente. No entanto, detalhes do comportamento reprodutivo, como a forma de escavação do ninho e o envolvimento do macho ou da fêmea, ainda são pouco documentados pela ciência.

Na criação de pirarucu, a identificação sexual é considerada um grande problema para o manejo de reprodutores. Além disso, a impossibilidade de monitorar o desenvolvimento das gônadas tem impedido o avanço no controle reprodutivo da espécie em cativeiro. As técnicas geradas contribuirão para a manutenção da espécie, que possui cerca de 150 mil exemplares nas populações naturais.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Lucas Simon Torati, houve muitos avanços no estudo do pirarucu na última década, tais como a caracterização de hormônios hipofisários e desenvolvimento de métodos de sexagem, estudos de diversidade genética, entre outros. Porém, pouco se evoluiu no seu controle reprodutivo em cativeiro.

Cientistas da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) estão empregando equipamentos de medicina, como endoscópios e tomógrafos computadorizados, para pesquisar o pirarucu (Arapaima gigas). As tecnologias auxiliam a descobrir o grau de maturação das células sexuais das fêmeas e gerar imagens inéditas em 3D do maior peixe nativo do Brasil.

O trabalho foi publicado no periódico Copeia da Sociedade Americana de Ictiologia e Herpetologia. Trata-se de um importante passo para o domínio da reprodução do pirarucu em cativeiro e para o conhecimento de sua morfologia e fisiologia, áreas em que há muitas lacunas. Com a aplicação das técnicas da medicina, será possível identificar o sexo do peixe a um custo muito mais baixo que o dos métodos atuais.

Durante seu doutorado na University of Stirling, na Escócia, o pesquisador da Embrapa Lucas Simon Torati desenvolveu uma técnica para a captação de ovócitos da fêmea que permite verificar seu grau de maturação. Para isso foi inicialmente empregado um endoscópio médico com aproximadamente três milímetros de diâmetro, usado em exames de urologia.

O equipamento foi usado para desvendar a anatomia das fêmeas, permitindo observar o ovário sem necessidade de cirurgias ou incisões que poderiam prejudicar a saúde do peixe. Até então só era possível acessar o aparelho urinário, porque não se conhecia ao certo a anatomia do aparelho reprodutor. “Com o uso do endoscópio provido de uma microcâmera, conseguimos, pela primeira vez, observar o ovário de fêmeas reprodutoras sem necessidade de sacrificar nenhum animal, e isso é essencial para pesquisa na área de reprodução”, relata Torati. Com isso foi possível observar se a fêmea estava perto de uma desova ou apta para receber um tratamento hormonal.

“Até 2011 não havia sequer um método para identificar machos e fêmeas com segurança. Somente depois de ser caracterizada uma proteína presente apenas nas fêmeas é que foi desenvolvido um kit para sexagem, que ainda é caro para os produtores. No entanto, a presença de casais no mesmo tanque em si não garante a reprodução, é preciso avançar com métodos de indução hormonal ou também ambiental”, pondera o pesquisador.

Outro gargalo na reprodução da espécie é a identificação do grau de maturação da fêmea. Pelos métodos atuais, o produtor precisa esperar o pirarucu completar três anos e observar se haverá cruzamento dos casais para verificar se os peixes estão maduros. Em outras espécies como o tambaqui (Colossoma macropomum) ou o surubim (Pseudoplatystoma corruscans), a anatomia permite monitorar o desenvolvimento das gônadas por meio de biópsias. Isso é fundamental para adotar terapias hormonais, que permitem obter grandes quantidades de gametas e a indução de produção de células sexuais para fertilização artificial, que gera milhares de larvas e alevinos. No caso do pirarucu, a anatomia genital ainda desconhecida das fêmeas e machos impede a aplicação desse tipo de técnica. Pois, assim como os humanos, os peixes também podem ser submetidos a uma terapia hormonal para gerar as formas jovens (larvas e alevinos).

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE