Os passos para introduzir a produção integrada no cultivo do pimentão
A Norma Técnica Específica da PIP contempla 18 áreas, nas quais estão definidos os requisitos obrigatórios, recomendados e proibidos para cada etapa do sistema de produção integrada. Para viabilizar esse sistema de produção, no qual se pode obter a certificação do produto com o selo “Brasil Certificado”, a NTE da PIP exige a aplicação de boas práticas agrícolas durante todas as fases de cultivo, colheita e pós-colheita.
Essas boas práticas foram elaboradas por pesquisadores da Embrapa Hortaliças em parceria com a Emater-DF e outros parceiros. O documento orienta os produtores sobre os procedimentos que devem ser tomados com relação a vários processos, como irrigação, nutrição e manejo do solo, monitoramento e manejo de pragas e doenças, orientações para a aplicação de agrotóxicos, manuseio dos frutos na pós-colheita e coleta de amostras para análises de resíduos. “Essas práticas possibilitam o manejo adequado desde a etapa de cultivo até a disponibilidade do alimento para a comercialização”, observa o pesquisador, enfatizando que qualquer agricultor pode implementar as boas práticas, independentemente da adesão à produção integrada.
Todas as ações realizadas na condução da lavoura devem ser registradas em “cadernos de campo”. São essas anotações que vão possibilitar ao produtor atender às categorias “Registro de informações” e “Rastreabilidade”. Elas são exigidas no momento da etapa de fiscalização, que é realizada por meio de empresas credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para a avaliação da conformidade e obtenção da certificação.
O agrônomo da Emater-DF Fabiano Carvalho foi um dos técnicos que contribuiu para a definição da classificação (obrigatório, recomendado, proibido) dos procedimentos que constam na Norma Técnica. Ele considera a produção integrada viável e relata que, pela sua experiência, as adequações que precisam ser efetivadas pelo agricultor estão relacionadas mais a procedimentos do que a investimento financeiro. “Percebemos que os produtores melhoram os processos de gestão e passam a conhecer a sua produção ao adotar medidas simples como o registro das decisões tomadas durante o cultivo”, enfatiza Carvalho.
O técnico da Emater Carlos Banci, envolvido nas discussões sobre a elaboração do sistema de produção integrada, reforça que aqueles que buscam seguir as recomendações, principalmente, relacionadas às ações gerenciais, estão tendo resultados melhores que a média dos agricultores. Com a publicação da norma técnica específica e a disponibilização das boas práticas, os especialistas planejam a implantação de unidades demonstrativas em propriedades rurais.
A fase posterior envolve treinamentos de técnicos e de produtores interessados em adotar o sistema de produção integrada. “É um processo que demanda tempo entre a adoção e a implementação de todos os itens listados na NTE até alcançarmos a etapa final de auditoria das propriedades por certificadoras acreditadas pelo Inmetro e a obtenção do selo”, reconhece o pesquisador da Embrapa.
O pesquisador Jorge Guimarães ressalta que a adesão à produção integrada é voluntária e requer agricultores com perfil diferenciado, comprometidos com a oferta de produtos de qualidade superior, considerando a sustentabilidade da produção e do meio ambiente. Os interessados devem se adequar às normas da PI e, entre outros compromissos, assinar contrato com empresa certificadora, registrar as atividades desenvolvidas na área de produção e fornecer amostras para análises de resíduos.
Para o especialista, a produção integrada requer uma mudança de mentalidade ao considerar que o retorno financeiro não está propriamente no valor de venda do produto, e sim na melhoria da gestão da propriedade e na economia obtida com a realização das boas práticas. “A PI pressupõe mecanismos de monitoramento, análise de solos e de outros itens para avaliar a necessidade real do uso de insumos. O ganho na PI é decorrente, muitas vezes, do que o produtor deixou de gastar de forma desnecessária na condução da lavoura”, esclarece.

