As espécies mais conhecidas de Plantas Alimentícias não Convencionais
Talvez a mais famosa entre as PANCs seja a ora-pro-nóbis. Em Minas Gerais, por exemplo, pode ser encontrada facilmente em qualquer lugar e serve de base para várias receitas, principalmente o tradicional frango ao molho. Por ter folhas ricas em proteínas e sais minerais, a ora-pro-nóbis ficou conhecida como “carne vegetal”, sendo uma opção para a dieta vegetariana e vegana.
“Ora-pro-nóbis é uma planta arbustiva e nativa da América tropical. É uma cactácea vigorosa que possui folhas verdadeiras e com isso ela consegue fornecer essa folha agradável e nutritiva para o nosso consumo. A folha tem 30% de proteínas e lembra um pouco o quiabo”, disse Geovani Bernardo Amaro, pesquisador da Embrapa.
Rústica, a planta tolera períodos de seca. Por ter acúleos e espinhos, ela também é muito usada como cerca viva. E ainda produz frutos e sementes que garantem a possibilidade de cruzamento e melhoramento das plantas. “É importante ter variabilidade genética, porque possibilita a seleção de clones melhores”, explica Geovani, que também é melhorista genético na Embrapa.
No norte de Minas também se destaca o maxixe do reino, parecido com o chuchu. No estado mineiro, os produtores fazem entrega diária ou semanal de maxixe, que pode ser encontrado facilmente em algumas feiras.
“O consumo e a procura do consumidor final, da dona de casa ou mesmo de restaurantes, tem aumentado muito. Isso estimula a produção, porque se a gente não tem demanda, não tem como o produtor produzir”, diz a bióloga Lenita Haber, que também integra a equipe de pesquisadores da Embrapa Hortaliças.
Na região serrana do Rio de Janeiro, uma das PANCs que tem cultivo comercial é a bertália. A folhosa é vendida em maços e consumida geralmente de forma refogada, como o espinafre. “A bertália tem uma série de minerais e vitaminas e tem condições de entrar no rol de outras folhosas que já são produzidas comumente”, destaca Raphael Melo, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa.
Já da flor da vinagreira é feito o famoso chá de hibisco, recomendado para problemas digestivos e para combater a obesidade. E as folhas amargas da vinagreira são usadas na receita do típico arroz de cuxá maranhense.
Outra PANC histórica é a araruta, um tipo de raiz que não contem glúten na composição química. Antigamente, ela era desidratada e de sua farinha podia se fazer papinhas ou mingaus.
“Nossos avós, bisavós consumiam, porque não tinha produto industrializado naquela época. Hoje, está voltando a ficar em voga porque não tem glúten e tem características nutricionais boas. A sabedoria popular já anteviu isso”, diz o engenheiro agrônomo.
E tem outras espécies, como a folha da taioba, que é parecida com a couve e pode ser refogada. No entanto, como ela contém um alto teor de ácido oxálico, o que pode causar sensação de aperto na boca dependendo da forma como for colhida e preparada.
“Tem que ter muito cuidado, porque ela parece com outras plantas que ocorrem em áreas de brejo e não pode colher qualquer planta, se não pode causar uma irritação na garganta ou até fechar a glote”, alerta.
O especialista recomenda ainda que a pessoa sempre busque informações sobre o cultivo correto ou compre de algum fornecedor idôneo. “Não pode ser uma aventura de sair na cidade e pegar qualquer planta daninha, qualquer coisa que esteja ali e achar que é comestível. Muitas vezes uma planta dessa vai estar exposta a uma série de contaminantes, além da própria característica de ter o teor de alguma substância que nem sempre é benéfica”.

